Cenário Económico Actual e suas Implicações no Mercado de Capitais Angolano

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Nos últimos seis meses, o mercado de capitais negociou um volume total de 2 915,160 bilhões de kwanzas em obrigações fixas e variáveis, e as Obrigações de Tesouro não Reajustáveis (OT-NR) foram responsáveis por 12,17% destes valores, enquanto as acções acumularam apenas 0,08% deste valor. A conjuntura económica apresenta uma economia que inibe o consumo das famílias e mete em risco a poupança para o resto dos seis meses do ano, pode fazer impactar ainda mais o crescimento das negociações no mercado secundário, isso devido à perda do poder de compra dos consumidores por meio da alteração da política fiscal do governo, metendo em risco a perspectiva de crescimento do número de investidores que queiram negociar no mercado primário ou secundário.

As maiores negociações neste período foram feitas por meio das OT-NR, OT-EM, BT e as Acções, as acções presentaram 0,08% e os OT-EM alocaram 0,24% do valor total. Para o resto dos seis meses o mercado de capitais poderá ver alterações em algumas variáveis macroeconómica devido o quadro económico que levará as variáveis a apresentarem bastante flutuação. A meta de uma inflação de 17,5% projectada pelo regulador da política monetária pode ser uma mera ilusão devido à alteração na política fiscal por meio da retirada dos subsídios do combustível, e uma fixação na taxa de câmbio de referência do dólar que não poderá ser mantida abaixo dos USD/Kz 950,00 por muito tempo. Este cenário levará a diminuição no consumo devido à subida dos preços dos bens e serviços, diminuição no nível de poupança e perda de valor da renda corrente dos investidores. Esse processo poderá levar os investidores a reflectirem sobre o tipo de produto financeiro que poderão investir no mercado secundário.

Por um lado, podemos ver o lançamento de novas obrigações com renda fixas no mercado primário com taxas rentabilidades aliciantes, afectando também as decisões de muitos investidores no mercado secundário, e, por outro lado, podemos continuar a ver a perda do poder monetário de algumas destas rentabilidades a serem consumidas pela taxa de inflação que poderá ser alcançado pelo mercado depois desta alteração na política fiscal. Hoje vivemos com uma taxa de 19,5%, uma taxa superior em 2% da meta proposta pelo comité de Política monetária do Banco Nacional de Angola (CPM), mas a conjuntura económica poderá elevar esta taxa acima daquela que foi alcançada no mês de Junho.

Quando olhamos para um quadro económico como este vemos a vantagem no mercado quando sabemos que existe a probabilidade do governo disponibilizar novas obrigações no mercado, e a desvantagem será ganhar uma rentabilidade com taxas apresentadas pelo mercado primário ou secundário que podem perder o seu valor com o aumento da taxa de inflação.

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Joel Lopes Leite, Economista
Joel Lopes Leite, Economistahttp://www.revistaoutside.com
Economista apaixonado por análise de dados e tomada de decisões estratégicas. Com formação em Economia pela Universidade Católica de Angola e experiência de oito anos atuando em empresas do setor financeiro. Possui experiência na elaboração de newsletter, previsão de tendências de mercado e análise de impactos económicos.

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