Yuan torna-se a quarta moeda das reservas obrigatórias e BAI e BFA preparam entrada no sistema de pagamentos chinês

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Directiva n.º 05/2026 do Banco Nacional de Angola, em vigor desde 6 de Julho, admite o renminbi ao lado do dólar norte-americano, do euro e do rand sul-africano. A sucursal do Bank of China em Luanda é, para já, a única instituição sediada em Angola na lista de participantes directos do sistema chinês.

O yuan é, desde 6 de Julho, a quarta moeda aceite pelo Banco Nacional de Angola para o cumprimento das reservas obrigatórias em moeda estrangeira pelas instituições financeiras bancárias.

A medida consta da Directiva n.º 05/2026, de 2 de Julho, do Departamento de Mercados do banco central, que revoga o normativo anterior e ajusta os procedimentos de constituição e desmobilização daqueles fundos. Com a alteração, o renminbi (CNY) junta-se ao dólar norte-americano (USD), ao euro (EUR) e ao rand sul-africano (ZAR) na lista restrita de divisas elegíveis. As reservas obrigatórias correspondem aos montantes que os bancos são obrigados a manter depositados no banco central e constituem um dos instrumentos de gestão de liquidez do sistema financeiro.

A abertura regulatória surge no momento em que dois dos maiores bancos angolanos preparam a ligação directa à infra-estrutura de pagamentos chinesa. Segundo o jornal Expansão, o Banco Angolano de Investimentos (BAI) e o Banco de Fomento Angola (BFA) iniciaram processos de participação directa no Cross-Border Interbank Payment System (CIPS), o sistema que compensa e liquida pagamentos transfronteiriços em moeda chinesa. O mesmo jornal escreve que a entrada deverá demorar cerca de um ano e exige a abertura de uma conta de liquidação própria num grande banco chinês. Nem o BAI nem o BFA confirmaram publicamente o processo.

Uma fonte ligada ao processo, não identificada e citada pelo Expansão, afirma que as maiores empresas chinesas presentes em Angola “têm sido pressionadas a entrar” no sistema, e que os pagamentos em yuan de e para a China passarão a ser canalizados obrigatoriamente por esta via. A Revista Outside não verificou de forma independente esta alegação, que assenta em fonte única e anónima.

Os dois bancos são, com efeito, os maiores do país pelos indicadores publicados. O BAI fechou 2025 com um activo total de 5.040 mil milhões de kwanzas em base individual, um crescimento de 11% face ao exercício anterior, segundo o respectivo relatório e contas. O BFA reportou um activo total de 4.278 mil milhões de kwanzas, mais 10,9% do que em 2024. Para efeitos de comparação, o Standard Bank de Angola encerrou o ano com 2.275 mil milhões de kwanzas e o Banco de Poupança e Crédito com 1.742 mil milhões de kwanzas.

A designação “Swift chinês”, usada por parte da imprensa, é imprecisa. A SWIFT é uma rede de mensagens financeiras que transmite instruções de pagamento sem movimentar fundos; o CIPS, criado em 2015 sob autorização do Banco Popular da China, é um sistema grossista de compensação e liquidação que processa efectivamente as operações em renminbi dentro do sistema financeiro chinês, dispensando a intermediação de centros de compensação no exterior.

Em Junho de 2026, o CIPS contava com 210 participantes directos e 1.619 participantes indirectos, distribuídos por 130 países e territórios, segundo o comunicado n.º 118 do próprio sistema, divulgado a 14 de Julho. Do total de participantes indirectos, 103 estão sediados em África. Só no segundo trimestre do ano foram admitidos 17 novos participantes directos.

A lista pública de participantes directos, consultada a 17 de Julho, inclui a entrada “Bank of China Limited, Luanda Branch”, o que confirma a existência de uma instituição sediada em Angola já ligada directamente ao sistema. A mesma lista integra outras instituições com operações africanas, entre as quais o Standard Bank of South Africa, o African Export-Import Bank, o Bank of China Zambia e sucursais em Joanesburgo do Bank of China, do China Construction Bank e do Bank of Communications.

O enquadramento comercial ajuda a explicar o movimento. As trocas comerciais entre Angola e a China superaram os 20 mil milhões de dólares em 2025, afirmou o presidente da Câmara de Comércio Angola-China, Luís Cupenala, em declarações à Lusa, acrescentando que o valor traduz uma desaceleração face a choques externos do mercado global. Cupenala classificou a admissão do yuan nas reservas obrigatórias como um passo significativo de maturidade das relações bilaterais.

O que é o CIPS?

O Cross-Border Interbank Payment System é um sistema de pagamentos grossista dedicado à compensação e liquidação de operações transfronteiriças em renminbi, criado em 2015 pelo Banco Popular da China. Funciona com uma arquitectura de participantes directos, que detêm conta de liquidação no sistema, e participantes indirectos, que acedem através dos primeiros. A adesão como participante directo não substitui a SWIFT nem elimina o risco cambial: significa apenas que uma instituição passa a liquidar pagamentos em moeda chinesa sem depender de um banco intermediário.

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