Dados foram apresentados na manhã desta terça-feira, 19 de agosto, em Luanda, durante a “Conferência sobre os Procedimentos para o Exercício da Actividade no Sector Financeiro Não Bancário”, realizada pelo Banco Nacional de Angola (BNA)
Segundo dados avançados pela Directora de Supervisão do Sector Financeiro Não Bancário do BNA, Analdete Garcia, o conjunto do sistema financeiro não bancário angolano cresceu cerca de 60% no período entre o primeiro trimestre de 2024 e o período homólogo de 2025, representando uma expansão “robusta” equivalente a 191, 21 mil milhões de Kwanzas.
Dentro desse cenário, as sociedades prestadoras de serviços de pagamento (PSP) passaram a deter aproximadamente 29% da quota de mercado face aos 8,74% no início de 2024, refletindo a aceleração das modalidades de pagamento eletrônicos muito além do tradicional.
Em termos regionais, Luanda lidera com mais de metade das transações do sector demonstrando uma trajectória de desenvolvimento mais acelerada na capital em comparação as demais províncias, numa altura em que, a nível do país, o sector conta com 17 operadores de microcrédito licenciados e 69 instituições não bancárias activas, repartidas em 24 casas de câmbio, 21 sociedades de crédito, 19 PSPs, 3 cooperativas de crédito e 2 fundos de pensões, totalizando mais de 1.300 postos de trabalhos, 57% do qual ocupado por homens e 43% por mulheres.
Entre os principais entraves do sector apontados pelo BNA estão a necessidade de preservar a solidez das instituições, aprimorar a regulamentação, adoptar plenamente as normas IFRS, consolidar uma supervisão baseada no risco e elevar a qualidade das informações encaminhadas ao banco central.
Quanto às perspectivas, o regulador angolano defende instituições financeiras sólidas e resilientes e a expansão dos serviços para todo o território nacional, alinhando-se às melhores práticas internacionais e buscando ampliar a inclusão financeira de forma estrutural.
Atendendo a esta necessidade, Manuel Dias, Governador do BNA, enfatizou em suas palavras de boas-vindas a importância da cooperações com parceiros do sector – como a Comissão de Mercdo de Capitais (CMC) e a ARSEG – a fim de fomentar um ecossistema robusto que atraia investimentos ao sector financeiro não bancário e, assim, dinamizar a economia angolana.
Falando em uma conferência sobre Fintech no passado 7 de agosto, José Gualberto Matos, PCA da EMIS, realçou que Angola regista uma taxa de inclusão financeira abaixo de 40% e que a solução para uma maior inclusão da população nos serviços do sistema financeiro angolano passava pela aposta nas Fintechs e melhoria da qualidade da internet.
No entanto, para Analdete Garcia, “desde a primeira licença para a actividade financeira não bancária em Angola concedida em 1993, o arcabouço do sector financeiro não bancário tem evoluído de forma relevante”, disse, enfatizando o comprometimento contínuo do BNA com a solidez, estabilidade e modernização do sistema financeiro, promovendo a inclusão e buscando – por meio de políticas públicas e cooperação com o sector privado – ampliar a cobertura de serviços e as oportunidades de investimento em Angola.





