Standard Bank identifica oportunidades de expansão no mercado angolano, apoiadas pela dimensão da economia, pelo número de habitantes e pela reduzida participação dos fundos nas poupanças bancárias. Actualmente, os fundos de investimento representam apenas 3% dos depósitos bancários em Angola, contra níveis de 20% a 30% observados noutros mercados africanos, segundo António Catana, CEO da Standard Gestão de Activos.
Mercado angolano apresenta margem de expansão
Angola é considerada pelo grupo Standard Bank como o mercado africano com maior potencial de crescimento no segmento dos fundos de investimento, numa avaliação que tem em conta a dimensão da economia nacional, a população e o espaço ainda disponível para a expansão deste instrumento financeiro.
A perspectiva foi apresentada na segunda-feira, 12 de Outubro, por António Catana, presidente da comissão executiva da Standard Gestão de Activos (SGA), durante uma apresentação sobre as oportunidades existentes no mercado angolano de capitais.
A avaliação assenta, sobretudo, na reduzida presença dos fundos de investimento no sistema financeiro nacional. Segundo os dados apresentados pelo responsável, estes instrumentos representam actualmente cerca de 3% dos depósitos bancários em Angola, uma proporção significativamente inferior à registada em alguns outros mercados africanos.
Para o grupo financeiro, esta diferença demonstra que existe espaço para aumentar a participação dos fundos na gestão das poupanças de particulares e empresas. O crescimento dependerá, porém, da capacidade de informar os investidores, diversificar as soluções disponíveis e reforçar a confiança no mercado de capitais.
Fundos representam apenas 3% dos depósitos bancários
António Catana explicou que, enquanto em Angola os fundos de investimento correspondem a cerca de 3% dos depósitos bancários, noutros mercados africanos a proporção pode atingir entre 20% e 30%.
A diferença indica que os fundos têm uma presença relativamente limitada na forma como as poupanças são aplicadas no país. Uma parcela significativa dos recursos financeiros permanece em depósitos bancários, enquanto os instrumentos de investimento colectivo ainda têm margem para conquistar maior participação.
Os fundos de investimento permitem reunir dinheiro de vários participantes para o aplicar numa carteira de activos, de acordo com os objectivos e as regras definidas para cada produto. Dependendo da sua composição, podem investir em títulos de dívida, acções ou outros instrumentos financeiros autorizados.
Esta modalidade permite que os participantes tenham exposição a uma carteira diversificada sem precisarem de comprar individualmente todos os activos que a integram. A gestão é assegurada por profissionais especializados, responsáveis por tomar decisões de investimento dentro dos limites estabelecidos para cada fundo.
No entanto, o potencial de expansão não significa que todos os fundos sejam adequados a todos os investidores. Os produtos diferem em termos de risco, prazo, liquidez, custos e possíveis rendimentos. A escolha depende dos objectivos financeiros e da capacidade de cada participante para suportar eventuais perdas.
Educação financeira é um dos principais desafios
O responsável da Standard Gestão de Activos defendeu que os angolanos precisam de conhecer melhor os fundos de investimento e compreender de que forma podem utilizá-los para gerir as suas poupanças.
A familiaridade com os depósitos bancários não implica necessariamente conhecimento sobre outros instrumentos financeiros. Muitos cidadãos podem desconhecer as diferenças entre manter dinheiro numa conta, adquirir títulos de dívida ou participar num fundo de investimento.
O reforço da literacia financeira pode ajudar a esclarecer como funcionam estes produtos, quais são os custos envolvidos e em que circunstâncias podem existir ganhos ou perdas. A informação também permite aos investidores comparar alternativas antes de tomar decisões.
Para que a expansão seja sustentável, a divulgação dos fundos deve ser acompanhada por explicações claras sobre os riscos. A possibilidade de obter rendimentos superiores aos de determinadas alternativas não constitui uma garantia de lucro, uma vez que os resultados dependem dos activos em carteira e das condições do mercado.
A transparência na apresentação das comissões, das regras de resgate e dos prazos de investimento é igualmente importante para que os participantes compreendam as condições dos produtos antes de aplicar o seu dinheiro.
Estabilidade cambial influencia as decisões de investimento
António Catana destacou também a estabilidade cambial observada em Angola como um factor relevante para as perspectivas do mercado de capitais.
Segundo o responsável, a expectativa da instituição é de que possa ocorrer algum ajustamento cambial depois das eleições, sem que isso represente necessariamente uma alteração capaz de comprometer os níveis então observados.
A evolução do kwanza é um elemento importante para as decisões de investimento porque influencia o poder de compra, os custos das empresas e o valor, em moeda nacional, de activos ou obrigações denominados em divisas estrangeiras.
Para os investidores, a estabilidade cambial pode facilitar o planeamento financeiro e a avaliação de determinados riscos. Ainda assim, não elimina a possibilidade de oscilações futuras, nem garante rendimentos positivos nos fundos de investimento.
A avaliação cambial deve, por isso, ser considerada em conjunto com outros factores, incluindo a inflação, as taxas de juro, a situação das contas públicas e o desempenho dos activos que compõem cada carteira.
Standard Bank aposta no mercado de capitais angolano
O Standard Bank, um dos grandes grupos financeiros africanos e accionista da Standard Gestão de Activos, considera que as características da economia angolana criam condições para o desenvolvimento dos fundos de investimento e do mercado de capitais.
A presença do grupo no país permite-lhe acompanhar a evolução do sistema financeiro e identificar oportunidades para ampliar a oferta de produtos de investimento. A estratégia está ligada à possibilidade de mobilizar poupanças que actualmente permanecem fora dos fundos e canalizá-las para instrumentos financeiros adequados aos diferentes perfis de investidores.
O desenvolvimento deste mercado pode também contribuir para ampliar as fontes de financiamento disponíveis para empresas e outras entidades que necessitam de recursos para executar projectos. Um mercado de capitais mais diversificado pode oferecer alternativas complementares ao crédito bancário tradicional.
Contudo, o crescimento depende de condições que ultrapassam a dimensão da economia e o número de habitantes. A confiança dos investidores, a qualidade da informação financeira, a existência de produtos adequados e o funcionamento das instituições são elementos importantes para atrair poupanças e estimular a participação no mercado.
Oportunidade depende da confiança e da diversificação
A diferença entre os níveis de participação dos fundos em Angola e noutros mercados africanos constitui um indicador do espaço potencial de crescimento identificado pela Standard Gestão de Activos. Contudo, a comparação não significa que Angola venha automaticamente a alcançar proporções semelhantes.
O aumento da participação dos fundos exige que os investidores compreendam as alternativas disponíveis e encontrem produtos compatíveis com os seus objectivos. Também depende da capacidade das instituições financeiras de oferecer soluções transparentes, acessíveis e ajustadas às necessidades do mercado nacional.
Para as famílias, os fundos podem representar uma alternativa para diversificar as poupanças, desde que sejam avaliados os riscos, os custos e o horizonte temporal de cada aplicação. Para as empresas, o desenvolvimento do mercado de capitais pode criar novas possibilidades de mobilização de recursos e investimento.
A perspectiva apresentada pelo Standard Bank coloca Angola entre os mercados com maior margem de expansão neste segmento. A concretização desse potencial dependerá da evolução da literacia financeira, da confiança dos participantes e da capacidade do sistema financeiro de transformar o interesse em investimento efectivo.





