EUA espera que acordo sobre gasóleo ajude a aproximar Moscovo das negociações de paz

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A administração de Donald Trump apresentou o acordo para permitir exportações de gasóleo russo como parte de uma estratégia para reabrir o diálogo sobre a guerra na Ucrânia.Enviados norte-americanos disseram a responsáveis ucranianos que a iniciativa poderá incentivar Vladimir Putin a regressar às negociações, embora persistam dúvidas sobre a disposição de Moscovo para aceitar um acordo de paz.

Diplomacia energética para desbloquear as negociações

Os Estados Unidos esperam que o acordo para permitir a exportação de gasóleo russo ajude a alterar a posição de Moscovo e facilite o regresso às negociações destinadas a pôr fim à guerra na Ucrânia. A estratégia foi explicada por representantes da administração do presidente Donald Trump a responsáveis ucranianos durante uma reunião realizada na sexta-feira, em Miami, segundo três pessoas familiarizadas com o encontro.

O enviado especial norte-americano para o Médio Oriente, Steve Witkoff, e Jared Kushner, genro de Trump, transmitiram à delegação ucraniana que o presidente russo, Vladimir Putin, não estaria preparado para negociar o fim do conflito nas condições actuais. De acordo com duas das fontes, os representantes dos Estados Unidos consideraram que o acordo energético anunciado na semana anterior poderia contribuir para retomar as conversações trilaterais entre Washington, Moscovo e Kyiv.

Uma terceira fonte afirmou que a administração norte-americana apresentou o acordo como um sinal de abertura para desenvolver relações económicas com a Rússia. A expectativa é que esta aproximação possa ajudar a tornar Moscovo mais receptiva a novas negociações, criando condições para discutir questões que continuam a bloquear um entendimento político.

A iniciativa revela uma abordagem em que os incentivos económicos são utilizados como instrumento diplomático. Em vez de depender exclusivamente da pressão através de sanções, Washington procura criar vantagens que possam encorajar o Kremlin a regressar à mesa das negociações. No entanto, não existe ainda um compromisso público de Moscovo que confirme uma mudança de posição em consequência do acordo.

O que prevê o acordo sobre o gasóleo russo

O entendimento anunciado por Trump prevê a entrada de mais de 300 mil toneladas de gasóleo russo nos mercados dos Estados Unidos e internacionais, equivalentes a cerca de 2,25 milhões de barris. Estão previstas entregas adicionais, elevando o volume total referido no acordo para mais de 2,25 milhões de barris, com novas remessas esperadas nos meses seguintes.

A administração norte-americana defende que o aumento da oferta poderá ajudar a aliviar os preços dos combustíveis, que têm pressionado empresas de transporte, agricultores e consumidores. O custo do gasóleo tornou-se também uma questão política nos Estados Unidos, a poucas semanas das eleições intercalares de 3 de Novembro, que determinarão o controlo do Congresso.

Trump afirmou que a decisão representa uma escolha correcta para os interesses norte-americanos. A sua administração também suspendeu temporariamente restrições que impediam a entrada de combustível russo, permitindo que o acordo avançasse apesar das sanções impostas a Moscovo após a invasão da Ucrânia.

Contudo, a dimensão das entregas é limitada quando comparada com o consumo norte-americano. Especialistas do sector energético consideram que o volume adicional dificilmente provocará uma redução significativa dos preços, sobretudo porque os mercados continuam condicionados por perturbações no abastecimento e por danos em refinarias russas provocados por ataques ucranianos.

A medida tem, assim, uma dupla finalidade: responder à pressão interna causada pelos preços dos combustíveis e criar uma oportunidade diplomática com o Kremlin. O peso de cada objectivo na decisão de Washington continua a ser motivo de debate, especialmente porque o acordo também poderá gerar receitas para a economia russa.

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