O presidente da Internet Technologies Angola afirmou, num fórum sobre banca em Luanda, que algumas instituições alojam dados na África do Sul e na Europa. A empresa do Grupo Paratus diz estar a construir um terceiro centro de dados no país.
Alguns dos principais fornecedores internacionais de computação em nuvem pública não têm infra-estrutura em Angola, o que leva determinadas instituições a recorrer a centros de dados na África do Sul e na Europa. Rolf Mendelsohn, presidente do conselho de administração da Internet Technologies Angola e co-fundador do Grupo Paratus, fez a observação a 14 de Outubro, em Luanda. Falava no Angola Reimagine Banking Forum, segundo comunicado da empresa.
Mendelsohn participou no painel sobre computação em nuvem, soberania de dados e regulação. Segundo o comunicado, considerou que o recurso a centros de dados no estrangeiro levanta questões sobre a localização, a gestão e a protecção da informação. Fez, no entanto, uma avaliação positiva do enquadramento legal. “Angola está no bom caminho em matéria de regulamentação e protecção de dados. O Banco Nacional de Angola e a Agência de Protecção de Dados têm vindo a estabelecer instrumentos legais importantes para a gestão e segurança da informação”, afirmou.
A leitura não foi consensual no mesmo painel. João Almeida, director de sistemas de informação do Access Bank Angola, considerou que, no plano regulamentar, o país abrandou. Almeida referia-se ao processo iniciado com as regras de 2020 do Banco Nacional de Angola (BNA) sobre a contratação de serviços de nuvem.
Terceiro centro de dados
Segundo o comunicado, a empresa está a construir o seu terceiro centro de dados em Angola, na Zona Económica Especial, a cerca de 30 quilómetros das duas unidades que opera no Patriota, em Luanda. Será o quinto do grupo na África Austral, que tem também infra-estruturas na Zâmbia e na Namíbia.
O comunicado não indica data de conclusão nem valor do investimento. Quando anunciou o projecto, em Julho de 2023, a empresa previa concluí-lo no primeiro trimestre de 2025, segundo declarações de Mendelsohn à Forbes África Lusófona. Em Novembro desse ano, obteve para a obra uma linha de crédito de 31 milhões de dólares do Emerging Africa Infrastructure Fund, segundo a DatacenterDynamics.
A Internet Technologies Angola afirma prestar serviços à maioria dos bancos comerciais do país, nas áreas de conectividade, alojamento de dados e computação em nuvem. Tem mais de 230 colaboradores e escritórios em seis províncias, segundo a empresa.





