Turismo em Angola gera mais de nove mil empregos e receitas de 667 milhões de dólares em 2025

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Mais de 223 mil turistas internacionais visitaram o país, enquanto a taxa média de ocupação hoteleira atingiu 72%. A isenção de vistos para cidadãos de 99 países, a introdução do visto electrónico e os programas de promoção turística estão entre as medidas apontadas pelo Executivo para impulsionar o sector.

O sector do turismo em Angola gerou mais de nove mil empregos e receitas estimadas em 667 milhões de dólares norte-americanos em 2025, consolidando a sua posição entre as áreas consideradas estratégicas para a diversificação da economia nacional. Os dados foram apresentados pelo Presidente da República, João Lourenço, durante a mensagem sobre o Estado da Nação, proferida a 15 de Outubro, na Assembleia Nacional.

Segundo o Chefe de Estado, o turismo tem potencial para contribuir para a criação de postos de trabalho, atrair investimento privado, dinamizar as economias locais e valorizar os recursos naturais, culturais e históricos do país. O sector é também visto como uma alternativa para ampliar as fontes de receitas da economia angolana e reduzir a dependência de actividades tradicionais.

Os resultados de 2025 reflectem o aumento da entrada de visitantes internacionais e a importância crescente do mercado interno. Ainda assim, a consolidação deste crescimento dependerá da capacidade de transformar o potencial turístico nacional em actividade económica sustentável, com infra-estruturas adequadas, serviços de qualidade e oportunidades para as empresas locais.

Mais de 223 mil visitantes internacionais

Angola recebeu mais de 223 mil turistas internacionais em 2025, um crescimento de 28% em comparação com 2022. A evolução indica uma recuperação da procura externa e uma maior circulação de visitantes, num contexto em que o país procura reforçar a sua presença no mercado turístico regional e internacional.

O aumento do número de chegadas constitui um indicador relevante para hotéis, restaurantes, operadores turísticos, empresas de transporte, agências de viagens e outros negócios ligados à recepção de visitantes. Estas actividades podem beneficiar directamente da procura por alojamento, alimentação, deslocações, lazer e experiências culturais.

No entanto, o número de entradas internacionais, por si só, não permite avaliar integralmente o impacto económico do turismo. A duração das estadias, os gastos médios dos visitantes, a distribuição das receitas pelas províncias e a capacidade de as empresas nacionais fornecerem bens e serviços são igualmente importantes para determinar o alcance do sector na economia.

O desenvolvimento do turismo depende, por isso, não apenas de atrair mais pessoas, mas também de criar condições para que permaneçam mais tempo no país e consumam uma oferta diversificada de produtos e serviços.

Rede hoteleira ultrapassa 1.500 estabelecimentos

De acordo com os números apresentados pelo Presidente da República, Angola dispõe de 1.577 estabelecimentos hoteleiros e similares, com uma oferta superior a 31 mil quartos.

Em 2025, a taxa média de ocupação atingiu 72% nos hotéis e 75% nos restantes meios de alojamento. Os indicadores mostram uma utilização significativa da capacidade disponível, embora a média nacional não revele, por si só, as diferenças entre províncias, destinos turísticos e períodos do ano.

O turismo interno teve um papel determinante neste desempenho, sendo responsável por cerca de 70% da ocupação dos estabelecimentos de alojamento, segundo os dados divulgados pelo Chefe de Estado.

Este peso evidencia a importância dos próprios angolanos para a sustentabilidade da actividade turística. As viagens dentro do território nacional podem ajudar a manter a procura mesmo quando existem limitações na chegada de visitantes estrangeiros, além de favorecerem o consumo em hotéis, restaurantes, espaços de lazer e serviços de transporte.

A valorização do mercado interno também pode contribuir para distribuir os benefícios económicos do turismo por diferentes regiões, desde que existam condições de acesso, segurança, alojamento e oferta organizada de actividades.

Isenção de vistos e visto electrónico entre as medidas adoptadas

O Executivo atribui parte dos resultados às reformas introduzidas para facilitar a entrada de visitantes e melhorar a organização da actividade turística. Entre as medidas destacadas estão a isenção de vistos para cidadãos de 99 países e a implementação do visto electrónico.

A simplificação dos procedimentos de entrada pode reduzir obstáculos administrativos para quem pretende visitar Angola, seja em viagens de lazer, negócios ou outras finalidades. Para o sector privado, a maior facilidade de acesso pode representar oportunidades para captar novos clientes e desenvolver serviços destinados a diferentes perfis de viajantes.

O Governo destaca igualmente o programa Planifica Turismo, concebido para organizar e identificar destinos prioritários para o desenvolvimento da actividade. A planificação procura orientar a promoção e o aproveitamento dos recursos turísticos, evitando que o potencial de determinadas regiões permaneça sem uma estrutura adequada de exploração.

A estratégia inclui ainda o reforço da divulgação internacional do país e a formação de profissionais ligados à hotelaria e à restauração, áreas fundamentais para a experiência dos visitantes. A qualificação dos serviços é particularmente relevante num mercado em que a competitividade depende tanto dos atractivos naturais e culturais como da qualidade do atendimento, da organização e das condições oferecidas aos turistas.

Turismo como instrumento de diversificação económica

A geração de 667 milhões de dólares em receitas e de mais de nove mil empregos reforça a relevância económica do turismo, sobretudo num país que procura ampliar a participação de sectores não petrolíferos na criação de riqueza.

O impacto da actividade ultrapassa os estabelecimentos hoteleiros. Quando um visitante viaja, pode gerar procura por transportes, alimentação, artesanato, guias, actividades recreativas, eventos culturais e outros serviços. Esta circulação de despesa cria oportunidades para pequenas e médias empresas e pode estimular o empreendedorismo nas comunidades que recebem turistas.

A ligação entre o turismo e outros sectores da economia também pode favorecer a produção nacional. Hotéis e restaurantes necessitam de alimentos, bebidas, mobiliário, produtos de higiene e serviços de manutenção. Quando parte destas necessidades é satisfeita por fornecedores angolanos, uma parcela maior da despesa turística pode permanecer no mercado interno.

Para que esse efeito se materialize, é necessário que as empresas locais tenham capacidade de fornecer produtos com qualidade regular, preços competitivos e volumes suficientes. A articulação entre operadores turísticos, agricultores, transportadores, produtores e prestadores de serviços pode ajudar a ampliar os benefícios económicos da actividade.

A criação de emprego constitui outro dos resultados relevantes. Contudo, a dimensão do impacto não deve ser medida apenas pelo número de postos de trabalho, mas também pela sua estabilidade, remuneração, qualificação e possibilidade de progressão profissional.

Infra-estruturas e qualidade dos serviços continuam a ser determinantes

O crescimento do sector coloca em evidência a necessidade de manter investimentos nas infra-estruturas e nos serviços que sustentam a actividade turística. Estradas em condições adequadas, ligações aéreas, transportes locais, fornecimento regular de água e energia, saneamento e acesso à internet podem influenciar a escolha dos destinos e a satisfação dos visitantes.

Em várias regiões, a existência de paisagens naturais, praias, parques, património histórico e manifestações culturais representa uma base para desenvolver diferentes modalidades de turismo. A transformação desses recursos em produtos turísticos competitivos exige, porém, organização, conservação, acessibilidade e serviços que permitam receber visitantes em condições adequadas.

A promoção internacional também precisa de estar acompanhada por uma oferta capaz de corresponder às expectativas criadas. A divulgação de destinos pode atrair interessados, mas a experiência no local — desde a chegada até ao alojamento, à mobilidade e ao atendimento — influencia a reputação do país e a possibilidade de os visitantes regressarem.

Neste contexto, a participação do sector privado é importante para ampliar a capacidade de alojamento, diversificar os serviços e criar produtos adaptados a diferentes segmentos de mercado. O papel das políticas públicas passa igualmente por melhorar o ambiente de negócios e assegurar condições para que os investimentos possam ser desenvolvidos e mantidos.

Crescimento exige consolidação dos resultados

Os indicadores apresentados para 2025 mostram uma evolução positiva da actividade turística em Angola, com aumento das receitas, criação de emprego, crescimento das chegadas internacionais e níveis relevantes de ocupação dos estabelecimentos de alojamento.

A continuidade desta trajectória dependerá da capacidade de transformar os resultados num crescimento consistente, distribuído por diferentes destinos e acompanhado por melhorias na oferta. A redução dos constrangimentos logísticos, a formação de profissionais, a diversificação das experiências turísticas e a promoção dos destinos nacionais serão factores importantes para ampliar a competitividade do país.

Também será relevante acompanhar a evolução das receitas, dos gastos dos visitantes e do emprego ao longo dos próximos anos, de modo a perceber se o crescimento se traduz numa contribuição cada vez maior para a economia e para as comunidades.

Com receitas de 667 milhões de dólares e mais de nove mil empregos gerados em 2025, o turismo apresenta uma base económica que o Executivo pretende reforçar. O desafio passa agora por consolidar a procura, melhorar as condições de funcionamento do sector e converter os recursos naturais, culturais e históricos de Angola em oportunidades duradouras de investimento, rendimento e emprego.

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