Angola apresenta oportunidades de investimento na agricultura e infra-estruturas durante reuniões do Banco Mundial e FMI

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Governo destaca a produção agrícola, a segurança alimentar e a logística como áreas prioritárias para atrair financiamento e reforçar a diversificação económica. Em Banguecoque, o secretário de Estado para o Planeamento, Luís Epalanga, apresentou programas em curso e mecanismos de financiamento destinados a aumentar a produção nacional e ampliar a participação do sector privado.

Angola procura mobilizar investimento internacional

Angola apresentou oportunidades de investimento nos sectores da agricultura, segurança alimentar e infra-estruturas durante um encontro realizado em Banguecoque, na Tailândia, à margem das Reuniões Anuais do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional (FMI).

A apresentação foi conduzida pelo secretário de Estado para o Planeamento, Luís Epalanga, que expôs as prioridades do país para aumentar a produção interna, melhorar o acesso aos alimentos e desenvolver infra-estruturas capazes de apoiar a actividade económica.

A iniciativa decorreu sob o lema “Novos Horizontes da Tailândia: Capacitar as Pessoas, Construir Resiliência”, num contexto em que Angola procura diversificar a economia e reduzir a dependência das importações alimentares. A aposta passa por mobilizar recursos financeiros, atrair investidores privados e reforçar a capacidade produtiva nacional.

A agricultura foi apresentada como um dos sectores com maior potencial para gerar emprego, dinamizar as economias locais e criar oportunidades para a indústria transformadora. Para alcançar esses objectivos, o Executivo considera necessário combinar o aumento da produção com investimentos em irrigação, energia, armazenamento, conservação e transporte.

Segurança alimentar no centro da estratégia

Durante a apresentação, Luís Epalanga destacou a Estratégia Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, aprovada em 2025, como um dos principais instrumentos para coordenar as políticas públicas relacionadas com a produção agrícola e a alimentação da população.

A estratégia procura articular o aumento da oferta de alimentos com a melhoria do acesso aos produtos e a promoção de uma nutrição adequada. A sua implementação depende, entre outros factores, da capacidade dos produtores de aumentar a produtividade, do funcionamento das cadeias de distribuição e da existência de mecanismos que permitam levar os produtos dos campos aos mercados.

O desafio não se limita à disponibilidade de terras para cultivo. A produção agrícola exige acesso a sementes, fertilizantes, equipamentos, água, assistência técnica e financiamento. Sem estas condições, os agricultores enfrentam dificuldades para expandir as explorações, aumentar os rendimentos e manter uma oferta regular ao longo do ano.

A melhoria da segurança alimentar depende igualmente da redução das perdas depois da colheita. Quando não existem armazéns adequados, sistemas de refrigeração ou transportes eficientes, uma parte da produção pode deteriorar-se antes de chegar aos consumidores. O investimento nestas infra-estruturas é, por isso, considerado essencial para aproveitar melhor a produção nacional.

Projectos agrícolas com apoio do Banco Mundial

Entre as iniciativas apresentadas pelo governante encontram-se programas destinados a apoiar a agricultura familiar e comercial, alguns dos quais desenvolvidos com o apoio do Banco Mundial.

Um dos projectos destacados foi o Projecto de Transformação da Agropecuária Familiar de Angola (MOSAP III), orientado para o reforço da actividade produtiva das famílias rurais. A iniciativa integra o conjunto de instrumentos que procuram melhorar as condições de produção e ampliar a participação dos pequenos agricultores na economia.

Também foi referido o Projecto de Desenvolvimento da Agricultura Comercial (PDAC), que procura promover o crescimento da actividade agrícola comercial e facilitar a ligação dos produtores aos mercados. A expansão deste segmento pode contribuir para aumentar a oferta de matérias-primas destinadas à indústria e criar oportunidades para empresas ligadas ao fornecimento de equipamentos, insumos e serviços.

Outro programa apresentado foi o Projecto de Apoio à Agricultura Familiar e Comercialização (SAMAP), associado ao reforço da produção e das condições de comercialização. A lista inclui ainda o Programa de Apoio ao Desenvolvimento da Agricultura de Regadio (PROREGA), que procura ampliar as condições para a produção agrícola através do aproveitamento de sistemas de irrigação.

Estes projectos procuram responder a necessidades distintas dentro do sector. Enquanto a agricultura familiar tem um papel importante no abastecimento dos mercados e no sustento das comunidades rurais, a agricultura comercial pode contribuir para aumentar a escala de produção e assegurar o fornecimento regular de matérias-primas às unidades industriais.

A articulação entre os dois segmentos é relevante para construir cadeias de valor mais integradas, nas quais os produtores tenham acesso a financiamento e mercados, e as empresas transformadoras consigam obter matérias-primas produzidas no país.

Programa de combate à seca no Sul

Outro dos pontos destacados por Luís Epalanga foi o Programa de Combate aos Efeitos da Seca no Sul do País (PCESSA), orçado em 4,2 mil milhões de dólares e destinado às províncias do Cunene, da Huíla e do Namibe.

O programa procura contribuir para o combate à fome e à pobreza, reforçando a segurança alimentar nas regiões afectadas pela escassez de água e pelos efeitos da seca. A iniciativa assume particular importância para comunidades cuja actividade económica depende da agricultura e da pecuária, sectores vulneráveis às alterações das condições climáticas.

A escassez de água limita a produção agrícola, reduz a disponibilidade de pastagens e pode comprometer os rendimentos das famílias rurais. O reforço das infra-estruturas hídricas e dos sistemas de irrigação pode ajudar a reduzir essa vulnerabilidade, permitindo melhorar as condições de produção e aumentar a capacidade de resposta a períodos de menor precipitação.

A execução de programas desta dimensão exige, contudo, coordenação entre as instituições públicas, os financiadores e as comunidades beneficiárias. A eficácia do investimento dependerá da concretização das infra-estruturas previstas, da sua manutenção e da capacidade de garantir que os benefícios chegam aos produtores e às populações abrangidas.

Financiamento para produtores e empresas

No domínio do financiamento, o secretário de Estado apontou a capitalização de instituições nacionais como um dos instrumentos para apoiar o investimento agrícola. Entre as entidades mencionadas estão o Banco de Desenvolvimento de Angola (BDA), o Fundo de Apoio ao Desenvolvimento Agrário (FADA), o Fundo Activo de Capital de Risco Angolano (FACRA) e o Fundo de Garantia de Crédito (FGC).

Estas instituições podem desempenhar funções complementares no apoio à actividade económica, através de mecanismos de financiamento, instrumentos de capital e garantias de crédito. O objectivo é facilitar o acesso aos recursos necessários para iniciar ou expandir projectos produtivos.

O acesso ao crédito continua a ser um factor importante para os agricultores e empresários que pretendem investir em máquinas, sistemas de irrigação, instalações de armazenamento ou unidades de transformação. Para muitas pequenas e médias empresas, a dificuldade em apresentar garantias e obter financiamento adequado pode limitar a expansão das actividades.

O reforço dos mecanismos de financiamento poderá ajudar a reduzir esses obstáculos, desde que os instrumentos sejam acessíveis aos beneficiários e estejam ajustados às características dos projectos agrícolas. A produção rural apresenta ciclos próprios e está sujeita a riscos climáticos, pelo que as condições de financiamento precisam de considerar os prazos de produção e de comercialização.

Luís Epalanga destacou igualmente as iniciativas AgriConnect e AgriInvest, orientadas para a mobilização de financiamento e investimento privado na agricultura e na agro-indústria. A atracção de capital privado é considerada importante para complementar os recursos públicos e acelerar a expansão das actividades produtivas.

KWENDA e FRESAN no apoio às famílias

Na apresentação foram também mencionados os programas KWENDA e FRESAN, associados ao apoio às famílias vulneráveis e ao reforço da resiliência perante os efeitos da seca e das alterações climáticas.

O KWENDA está ligado à protecção social e ao apoio às famílias em situação de vulnerabilidade, enquanto o FRESAN se concentra no reforço da segurança alimentar e nutricional e da resiliência nas regiões do Sul de Angola afectadas pela seca.

A inclusão destas iniciativas no quadro apresentado pelo Governo evidencia a ligação entre o desenvolvimento agrícola e as condições sociais das comunidades. A melhoria da produção alimentar não depende apenas do investimento em equipamentos e explorações agrícolas, mas também da capacidade das famílias de enfrentar períodos de crise e manter o acesso aos alimentos.

O reforço da resiliência das comunidades rurais pode contribuir para reduzir os efeitos das dificuldades climáticas e económicas, permitindo que os produtores mantenham a actividade e recuperem mais rapidamente após períodos adversos.

Irrigação, energia e logística entre as prioridades

Ao identificar as oportunidades para investidores, o governante destacou a agricultura comercial, a agro-indústria, as infra-estruturas de apoio à produção, os transportes e a logística como áreas prioritárias.

Entre as necessidades apontadas encontram-se os sistemas de irrigação, o fornecimento de energia e água, as instalações de armazenamento, a conservação a frio e as unidades de transformação agro-industrial. Estas infra-estruturas são consideradas fundamentais para melhorar a produtividade, reduzir as perdas pós-colheita e acrescentar valor aos produtos nacionais.

Os sistemas de irrigação podem ajudar a reduzir a dependência das chuvas e a tornar a produção mais previsível. O acesso à energia é necessário para operar equipamentos agrícolas, instalações de transformação e sistemas de refrigeração, enquanto a disponibilidade de água condiciona tanto a produção vegetal como várias actividades pecuárias.

O armazenamento e a conservação a frio permitem prolongar a vida útil de produtos perecíveis e organizar a sua distribuição de acordo com a procura. Já as unidades de transformação podem converter matérias-primas agrícolas em produtos com maior valor comercial, criando oportunidades para a indústria alimentar e para empresas de embalagem, transporte e distribuição.

A logística representa outro elemento central. Mesmo quando existe produção suficiente, estradas em más condições, custos elevados de transporte e falta de instalações de armazenamento podem dificultar o acesso aos mercados. O investimento nesta área pode melhorar a ligação entre as zonas de produção, os centros urbanos e os pontos de distribuição.

Agro-indústria para reduzir importações

A aposta na transformação local dos produtos agrícolas está ligada ao objectivo de reduzir a dependência das importações alimentares. Quando os produtos nacionais são transformados no país, parte do valor acrescentado permanece na economia, podendo gerar receitas para empresas, criar postos de trabalho e estimular actividades complementares.

O desenvolvimento da agro-indústria pode abrir espaço para investimentos em fábricas de processamento, produção de alimentos, conservação de frutas e legumes, moagem de cereais e transformação de matérias-primas destinadas a diferentes segmentos do mercado.

Para que estas actividades sejam sustentáveis, é necessário garantir um fornecimento regular de produtos agrícolas, condições adequadas de transporte e acesso a energia e financiamento. As empresas transformadoras precisam de matérias-primas em quantidade e qualidade suficientes para manter a produção e responder à procura.

A ligação entre agricultores e unidades industriais pode, por isso, tornar-se um factor decisivo. Contratos de fornecimento, assistência técnica e mecanismos de financiamento adaptados à actividade agrícola podem contribuir para dar maior previsibilidade aos produtores e às empresas que dependem da sua produção.

A redução das importações, contudo, depende da capacidade de produzir localmente com regularidade, qualidade e preços competitivos. A atracção de investimento constitui uma das etapas deste processo, mas os resultados exigem a execução dos projectos, a melhoria das condições de produção e o funcionamento eficiente das cadeias de distribuição.

Desafio passa da apresentação à execução

A apresentação em Banguecoque permitiu expor as prioridades angolanas perante participantes das Reuniões Anuais do Banco Mundial e do FMI, num esforço de mobilização de financiamento e de aproximação a potenciais investidores.

A concretização das oportunidades identificadas dependerá da capacidade de transformar as prioridades em projectos financiáveis, com condições claras de implementação, infra-estruturas adequadas e mecanismos que permitam acompanhar os resultados. A participação do sector privado poderá complementar os programas públicos, desde que existam condições para investir e desenvolver actividades de forma sustentável.

Para Angola, o desenvolvimento da agricultura e das infra-estruturas associadas está ligado a objectivos económicos e sociais: aumentar a produção nacional, criar emprego, reduzir perdas alimentares e melhorar o abastecimento dos mercados.

A estratégia apresentada pelo Governo procura aproximar financiamento, produção agrícola, transformação industrial e logística. O impacto desta abordagem dependerá da execução dos programas em curso e da capacidade de assegurar que os investimentos resultam em maior produtividade, melhores condições para os produtores e uma oferta alimentar mais estável para a população.

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