OPV da Unitel entra na recta final e pode render ao Estado até 300 mil milhões de kwanzas

Data:

Oferta de 15% do capital fecha às 15h00 de 24 de Julho, mas as ordens de compra deixam de poder ser alteradas a 21. Preço final é fixado a 27 de Julho, em sessão especial de bolsa, e as acções entram na BODIVA a 29.

A Oferta Pública de Venda de 15% do capital da Unitel entra na recta final e pode render ao Estado até 300,3 mil milhões de kwanzas, consoante a procura.

A operação, conduzida pelo Instituto de Gestão de Activos e Participações do Estado (IGAPE) na qualidade de oferente, decorre desde as 14h00 de 6 de Julho e encerra às 15h00 de 24 de Julho. Estão em causa 7.500.000 acções ordinárias, escriturais e nominativas, com valor nominal unitário de Kz 5.000,00, representativas de 15% do capital social da operadora.

Quem já colocou ordens de compra deve reter uma data anterior ao fecho. Segundo o anúncio de lançamento publicado pela Comissão do Mercado de Capitais (CMC), as ordens só podem ser alteradas ou revogadas até às 15h00 de 21 de Julho; a partir desse limite tornam-se irrevogáveis. Em caso de revogação ou de redução do número de acções, o montante cativo na conta é desbloqueado ou devolvido na medida correspondente. Cada investidor pode adquirir de uma a 2.499.999 acções.

O preço não está fixado. O intervalo indicativo situa-se entre Kz 36.036,00 e Kz 40.040,00 por acção, cabendo à procura determinar o valor final, único para todos os destinatários. Esse apuramento decorre em sessão especial de bolsa da BODIVA a 27 de Julho, seguindo-se a liquidação a 28 e a admissão à negociação no Mercado de Bolsa a 29 de Julho.

Aplicado o intervalo às 7.500.000 acções, o encaixe do Estado situa-se entre 270,27 e 300,3 mil milhões de kwanzas — cálculo indicativo, que só ficará fechado a 27 de Julho. A operação supera, assim, a OPV do Banco de Fomento Angola de Setembro de 2025, que gerou perto de 120 mil milhões de kwanzas e era, até agora, a maior do mercado angolano.

O administrador da BFA Capital Markets, Paulo Graça, sustenta que a procura tem sido forte e que a empresa foi contactada por investidores particulares, empresas e institucionais interessados nas acções. O responsável nota ainda que a Unitel será a primeira empresa não financeira a entrar na BODIVA, onde estão cotados três bancos, uma seguradora e a própria bolsa.

A oferta divide-se em duas componentes. A dirigida aos trabalhadores reserva 1.000.000 de acções, correspondentes a 2% do capital, destinadas à aquisição preferencial pelos trabalhadores e membros dos órgãos sociais da Unitel, da Unitel Serviços de Pagamentos Móveis e da Unicanda Agro-Industrial. A dirigida ao público em geral disponibiliza 6.500.000 de acções, equivalentes a 13% do capital, às quais acrescem as que não venham a ser adquiridas na componente reservada.

As ordens podem ser apresentadas junto dos agentes de intermediação participantes — BFA Capital Markets, Áurea SDVM, Distribuidora Valor SDVM, Eaglestone SDVM, Standard Invest SDVM e Hemera Capital Partners Securities —, bem como do Banco Caixa Geral Angola e do Banco de Fomento Angola, através de balcões, canais digitais, sítios electrónicos, telefone e correio electrónico.

Está igualmente prevista a admissão à negociação da totalidade das 50.000.000 de acções representativas do capital social da empresa. Aos preços do intervalo indicativo, a operadora fica avaliada entre cerca de 1,8 e 2 biliões de kwanzas.

Com mais de 21 milhões de clientes, presença em todas as províncias e uma quota estimada em 76% do mercado móvel, a Unitel é a maior operadora de telecomunicações do país.

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