MUNGU arranca com 30 empresas e promete acelerar conteúdo local no sector petrolífero

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Programa financiado pelo Bloco 17 quer preparar MPMEs angolanas para contratos de grande escala e reduzir dependência externa

A Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANPG) e a TotalEnergies anunciaram a selecção das primeiras 30 micro, pequenas e médias empresas (MPMEs) para a fase inaugural do programa MUNGU, iniciativa que visa reforçar o conteúdo local e preparar fornecedores nacionais para competir no exigente mercado energético.

A apresentação pública decorre esta sexta-feira, no Palácio de Ferro, em Luanda, marcando o arranque operacional de um projecto financiado pelo consórcio do Bloco 17 — um dos mais relevantes activos petrolíferos do país.

Implementado pela Acelera Angola, o MUNGU foi concebido como um programa de capacitação empresarial orientado para elevar padrões de gestão, conformidade e competitividade das empresas angolanas, num momento em que o sector procura aprofundar a incorporação de fornecedores locais.

Segundo os promotores, a iniciativa constitui um instrumento estratégico para reduzir a dependência de bens e serviços importados, ao mesmo tempo que cria condições para que empresas nacionais integrem cadeias de fornecimento de grande escala, particularmente na indústria de petróleo e gás.

Na primeira edição, o programa abrangerá 30 MPMEs de sectores considerados críticos para a diversificação económica, entre os quais agricultura, pesca, turismo, logística, energia e telecomunicações. O desenho do projecto incorpora ainda metas de inclusão, com enfoque no empreendedorismo feminino e na inovação.

A duração do acompanhamento será variável, em função do grau de maturidade das empresas seleccionadas, estimando-se uma média de 38 semanas por ciclo. No horizonte de três anos, o MUNGU prevê apoiar cerca de 200 empresas ao longo de três edições, numa aposta gradual de construção de massa crítica empresarial.

O consórcio do Bloco 17 — operado pela TotalEnergies com 38% de participação, em parceria com a Equinor, ExxonMobil, Azule Energy e Sonangol E&P — sustenta financeiramente a iniciativa, reforçando o alinhamento entre investimento petrolífero e desenvolvimento do tecido empresarial local.

Presente em Angola há mais de sete décadas, a TotalEnergies mantém um posicionamento relevante no upstream nacional, com activos em águas profundas que representam uma fatia significativa da produção petrolífera do país, além de investimentos em distribuição de combustíveis e projectos de energia de baixo carbono.

Com o MUNGU, os operadores do Bloco 17 procuram agora transformar parte dessa presença industrial em alavanca directa para o fortalecimento das MPMEs, num movimento que poderá ter impacto estrutural na densificação do conteúdo local e na competitividade da economia angolana.

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