O especialista brasileiro em gestão de pessoas, Idalberto Chiavenato, defendeu, ontem, em Luanda, que a valorização do capital humano é um dos principais pilares para o crescimento económico sustentável de Angola, a fim de que o desenvolvimento do país dependa, cada vez mais, da capacidade de preparar e reter talentos nas empresas e instituições públicas.
O académico, que falava durante o Seminário Internacional sobre o Futuro dos Recursos Humanos, promovido pela Vantagem+, sublinhou que a diversificação económica e a competitividade do país só serão alcançadas com o fortalecimento do capital humano e a criação de ambientes de trabalho que estimulem o desenvolvimento profissional.
“As pessoas são o verdadeiro motor da economia, nenhuma tecnologia ou recurso natural substitui o talento humano”, disse.
Idalberto Chiavenato destacou que o desafio das organizações angolanas não está apenas em contratar profissionais qualificados, mas em criar condições para que estes queiram permanecer e contribuir para o sucesso colectivo.
“As empresas não devem reter pessoas à força, mas construir ambientes onde elas queiram ficar. O se-gredo é criar propósito, crescimento e pertencimento”, frisou, acrescentando que quem se sente valorizado e desafiado produz mais e melhor.
O especialista apontou o propósito como um dos elementos centrais na produtividade nas grandes e pequenas empresas a nível nacional e internacionais.
“Quando o trabalhador entende que o seu esforço tem impacto na sociedade, ele passa a desempenhar as suas funções com maior sentido de responsabilidade, o propósito cria ligação entre o que fazemos e o que acreditamos”, disse.
Em relação ao crescimento profissional, Idalberto Chiavenato defendeu o investimento contínuo em formação, inovação e aprendizagem prática.
“Um país cresce quando as pessoas crescem. O maior activo de Angola é o seu povo, e é preciso investir na capacitação para enfrentar as exigências de um mundo em constante mudança”, referiu.
O especialista ressaltou ainda a importância do pertencimento nas organizações, onde as pessoas querem sentir-se parte de algo, ser respeitadas e incluídas.
“A diversidade e a inclusão não devem ser apenas políticas de recursos humanos, mas valores incorporados à cultura empresarial. Isso gera produtividade e compromisso”, salientou.
Plano económico
No plano económico, Idalberto Chiavenato considerou que Angola está numa fase decisiva para consolidar um modelo de crescimento sustentado, que dependa da valorização do conhecimento e da inteligência colectiva.
“Os recursos minerais e o petróleo são importantes, mas o verdadeiro motor do desenvolvimento está nas pessoas. Um país só é competitivo quando investe em capital humano”, reforçou.
Questionado sobre o impacto da tecnologia e da automação na empregabilidade, o académico disse que as inovações devem ser vistas como aliadas do progresso e não como ameaças.
“A inteligência artificial e as novas tecnologias aumentam a eficiência, mas jamais substituirão a sensibilidade e a criatividade humanas. A tecnologia deve servir às pessoas, e não o contrário”, esclareceu.
Idalberto Chiavenato advertiu, no entanto, que a globalização e o trabalho remoto estão a criar um novo cenário de competição por talentos.





