BNA identifica fragilidades no sector não bancário: Concentração em Luanda e falhas de transparência

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Directora Analdeth Garcia apontou como prioridades a expansão territorial, a adopção das normas IFRS e a melhoria da informação contabilística submetida ao supervisor.

Apesar de registar um crescimento expressivo no último ano, o sector financeiro não bancário em Angola apresenta ainda fragilidades que podem comprometer a sua consolidação, alertou ontem a directora do Departamento de Supervisão do Sector Financeiro Não Bancário do Banco Nacional de Angola (BNA), Analdeth Garcia, durante a conferência sobre “Procedimentos para o Exercício de Actividade no Sector Financeiro não Bancário”, realizada em Luanda.

A responsável destacou que a actividade continua excessivamente concentrada em Luanda, onde se encontra a maioria das instituições licenciadas. “Precisamos de mudar este quadro e estimular investidores a expandirem os serviços para outras províncias”, sublinhou. Apesar de recentes avanços, como o licenciamento de uma sociedade prestadora de serviços de pagamento em Benguela, o mapa nacional mantém-se desequilibrado.

Outro desafio apontado prende-se com a qualidade e tempestividade da informação contabilística fornecida ao supervisor. “A informação é essencial para a tomada de decisão, mas precisa de chegar de forma completa e atempada. Persistem constrangimentos nos registos contabilísticos e nos balancetes de várias instituições”, afirmou Analdeth Garcia.A directora enfatizou ainda a necessidade de adopção plena das Normas Internacionais de Relato Financeiro (IFRS), bem como o reforço das regras operacionais e limites prudenciais, de modo a assegurar maior transparência e credibilidade do sector.

No campo social, foi evidenciada a desigualdade de género na composição da força de trabalho: 57% dos cerca de 1.300 postos de emprego são ocupados por homens, contrastando com tendências internacionais de maior equilíbrio.

Apesar destes constrangimentos, Analdeth Garcia reiterou o compromisso do BNA em modernizar o sistema, alinhar a regulamentação às melhores práticas internacionais e promover instituições sólidas e resilientes, assegurando, a médio prazo, um sector capaz de contribuir para a estabilidade financeira e para a inclusão de mais angolanos no sistema económico formal.

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