O Banco Nacional de Angola (BNA) reafirmou esta terça-feira o seu empenho na integração de critérios ambientais, sociais e de governação (ESG) no sistema financeiro nacional, através da implementação dos Princípios de Sustentabilidade e respectivos Guias, durante a IIIª Conferência de Sustentabilidade na Banca. A Vice-Governadora Maria Pereira sublinhou que estes instrumentos visam orientar decisões conscientes e responsáveis, alinhadas com as melhores práticas internacionais.
Contudo, operadores do sector manifestaram reservas quanto à aplicação efectiva das medidas propostas. Entre os principais desafios apontados estão a ausência de uma taxonomia nacional, custos operacionais elevados, baixo nível de literacia ecológica e fragilidade técnica dos projectos apresentados. Para Luís Gonçalves, PCE do BFA, falta uma visão clara e objectiva, com métricas definidas e ambições alinhadas com os impactos climáticos e sociais desejados.
Representantes da ABANC, BODIVA, PNUD e Key Research participaram no debate, indicando que o sucesso da transição sustentável depende de uma abordagem sistémica, envolvendo todos os actores da indústria financeira. A não emissão de títulos verdes e a indefinição de mecanismos de validação técnica foram identificados como barreiras adicionais.
Em resposta, o BNA pretende tornar o Guia de Sustentabilidade uma referência obrigatória, com apoio técnico de instituições internacionais como o Banco Mundial, FMI e o Banco Central de França. Prevê-se ainda para este ano a realização de um inquérito sobre a exposição do crédito aos riscos climáticos, como parte da estratégia de reforço da supervisão prudencial e política monetária com foco na sustentabilidade.
Segundo dados apresentados pela perita Sofia Santos (AGEPI), o Capital Natural de Angola está avaliado em 361 mil milhões de dólares, sendo necessário 2,8 mil milhões de dólares em toda a África para a prevenção de impactos ambientais extremos — sublinhando o peso estratégico do financiamento verde no continente.





