Paralisação da Refinaria de Luanda custou 817 milhões de dólares em importações no primeiro trimestre

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Refinaria de Luanda em manutenção desde meados de Fevereiro. Aprovisionamento interno cai para 17,3% do total adquirido no período

A paralisação programada da Refinaria de Luanda, em vigor desde 15 de Fevereiro de 2026, reduziu a contribuição da produção nacional para o abastecimento de combustíveis líquidos a menos de um quinto do total adquirido no primeiro trimestre, forçando uma dependência de importações avaliada em cerca de 817 milhões de dólares americanos.

Os dados constam do Sumário da Actividade Comercial no Mercado dos Derivados do Petróleo referente ao primeiro trimestre de 2026, divulgado pelo Instituto Regulador dos Derivados do Petróleo (IRDP) a 27 de Abril. Segundo o documento, das 1.022.408 toneladas métricas de combustíveis líquidos adquiridas para comercialização no trimestre, 82,7% tiveram origem na importação. A Refinaria de Luanda contribuiu com 15,9% e o Topping de Cabinda, operado pela Cabgoc, com os restantes 1,4%.

O IRDP atribui o baixo peso da produção interna directamente à paragem técnica da refinaria, descrita como programada para manutenção. O documento não indica a data prevista para o reinício das operações.

O gasóleo foi o produto dominante nas aquisições do trimestre, representando 52,4% do volume total. A gasolina correspondeu a 32,9%, o Fuel Ordoil a 6,1%, o MGO a 3,8%, o Jet A1 a 3,4% e o petróleo iluminante a 1,4%.

O volume global de aquisições registou uma redução de aproximadamente 23% face ao trimestre imediatamente anterior. O IRDP explica a variação com a sazonalidade do consumo: o quarto trimestre é, tipicamente, um período de procura acima da média, para o qual são realizadas aquisições antecipadas, com reflexo na contracção subsequente no início do ano.

Capacidade de armazenagem e rede de distribuição

O país dispõe de uma capacidade total instalada de armazenagem de combustíveis em terra de 1.155.968 metros cúbicos para combustíveis líquidos. No final do trimestre, estavam registados 1.221 postos de abastecimento, dos quais 933 em estado operacional. Destes, 317 são da Sonangol Distribuição e Comercialização, 83 da Pumangol, 58 da Sonangalp, 53 da Total Energies Marketing Angola e quatro da Etu Energias. Os restantes 418, correspondentes a 44,8% dos postos operacionais, pertencem a agentes privados sob a designação de Bandeira Branca.

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