Empresas do sector alegam “asfixia financeira” e custos operacionais insustentáveis
Sonagás prevê colocar 100 mil novas botijas no mercado em 2026
O processo de substituição de botijas de gás de cozinha em estado de degradação avança muito abaixo do ritmo necessário. Segundo dados apresentados pela Sonagás durante a Reunião de Balanço do Segmento dos Derivados do Petróleo referente ao primeiro trimestre de 2026, realizada nesta segunda-feira, 27 de Abril, na sede do Instituto Regulador dos Derivados do Petróleo (IRDP), em Luanda, foram substituídas até ao momento apenas 6.000 botijas em todo o território nacional. A empresa indicou que está prevista a aquisição de cerca de um milhão de botijas, com uma meta inicial de 100 mil novas unidades a colocar no mercado ao longo deste ano.
Para Manuel Augusto Pinto, director da Progás e especialista em Gás de Petróleo Liquefeito (GPL), o processo está muito aquém do necessário. “A substituição deveria ter acontecido ontem”, afirmou, sublinhando a urgência em garantir maior segurança no abastecimento doméstico e na utilização por parte das famílias, mas reconhecendo que as dificuldades financeiras das empresas impedem uma resposta mais célere.
Segundo Manuel Pinto, as operadoras enfrentam um cenário de forte pressão financeira, com custos operacionais em crescimento constante e pouca margem para investir em novas botijas, transporte adequado, armazenamento e equipamentos como empilhadores e sistemas de paletização. “As empresas estão asfixiadas, todas elas. Estão todas no vermelho. Nós compramos o gás praticamente ao mesmo preço, a granel, que um distribuidor de gás com três garrafas. Um estado de concorrência desleal, uma vez que nós ainda temos que transportar, embalar, armazenar e isso tem custos”, alertou, defendendo que sem sustentabilidade económica será impossível acelerar a renovação do parque de garrafas.
O responsável considerou que a aceleração do processo depende de “um mercado mais equilibrado e de melhores condições para que os operadores consigam suportar os custos da substituição”.
Em paralelo, decorre a substituição de válvulas defeituosas e campanhas de sensibilização junto de consumidores e distribuidores, com o objectivo de reduzir danos no transporte, armazenamento e uso diário, evitando a degradação acelerada das botijas em circulação.




