Taiwaneses preparam planos de fuga enquanto ilha reforça defesas contra eventual invasão chinesa

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Consultoras de imigração registam duplicação de pedidos nos últimos dois anos, com cidadãos a obter segundos passaportes e a transferir activos para o estrangeiro.Inquérito financiado pela Universidade de Duke em 2025 indica que apenas 20% dos taiwaneses afirmam que resistiriam ou se juntariam ao exército em caso de conflito

Face ao agravamento da pressão militar chinesa sobre Taiwan, uma parte da população da ilha autónoma tem vindo a preparar planos de contingência que incluem a obtenção de segundos passaportes, a abertura de contas bancárias no estrangeiro e a aquisição de propriedades noutros países asiáticos, revelou a CNN a 3 de Abril.

Nelson Yeh, profissional do sector financeiro de Taipé com 51 anos, transferiu um quinto do seu património para Singapura há três anos e obteve cidadania turca para si e para a sua mulher. “A probabilidade é baixa, mas se acontecer as perdas seriam enormes, por isso sinto que devo ter um plano B”, afirmou Yeh à CNN. O conflito em curso no Médio Oriente aprofundou as suas dúvidas sobre a estabilidade da ordem mundial, acrescentou.

A inquietação não é nova. Taiwan debate há décadas a possibilidade de conflito com a China, mas o líder chinês Xi Jinping tem pressionado com maior determinação as reivindicações de soberania sobre a ilha, realizando exercícios militares com munições reais e simulando bloqueios navais, segundo a CNN.

Dados divergentes sobre vontade de combater

Uma análise liderada por Charles Wu, professor-adjunto de ciência política na Universidade do Sul do Alabama, indica que a proporção de taiwaneses dispostos a defender a ilha tem variado entre 15% e 80% desde 2017, dependendo da metodologia dos inquéritos, segundo a CNN. Num estudo de 2025 financiado pela Universidade de Duke com formulação mais aberta, 37% dos inquiridos disseram que seguiriam o rumo dos acontecimentos, 17% apoiariam a decisão do governo, 11% abandonariam a ilha e 20% resistiriam ou alistar-se-iam. Wu alertou que a percepção da vontade de combate dos taiwaneses pode influenciar directamente as políticas da China e dos Estados Unidos em relação à ilha, de acordo com a CNN.

O governo taiwanês tem procurado contrariar esta tendência: alargou o serviço militar obrigatório de quatro para doze meses, criou em 2024 um comité de defesa civil e publicou guias de preparação para cenários de emergência, segundo a CNN. O presidente de Taiwan, Lai Ching-te, propôs igualmente um pacote de armamento de 40 mil milhões de dólares com os Estados Unidos, que aguarda aprovação legislativa face a oposição política interna e pressão de Pequim.

Mercados de imigração em expansão

Kenny Chiang, director-geral da Metropolitan Immigration Consulting Group em Taiwan, disse à CNN que a procura de passaportes obtidos através de investimento em países como Santa Lúcia, Vanuatu e os Emirados Árabes Unidos aumentou significativamente nos últimos cinco anos. Mark Lin, gestor da consultora concorrente Luby, indicou que as consultas duplicaram nos últimos dois anos por motivos geopolíticos, embora ressalve que um passaporte não garante a saída do país em caso de conflito activo, segundo a CNN.

Edward Lai, agente imobiliário taiwanês a operar em Banguecoque, disse à CNN que cerca de 70% dos seus clientes taiwaneses adquirem imóveis na Tailândia por preocupações geopolíticas, e que a sua empresa tem contratado pessoal para acompanhar a procura crescente.

Trump e Xi deverão abordar o tema de Taiwan quando o presidente norte-americano visitar Pequim em Maio, de acordo com a CNN. Os Estados Unidos têm por lei a obrigação de vender armamento a Taiwan para fins de auto-defesa, mas Trump tem recusado confirmar se enviaria assistência militar em caso de ataque chinês, em linha com a política norte-americana de longa data.

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