Analistas contestam afirmações de Trump sobre mudança de regime no Irão

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Especialistas ouvidos pela CNN argumentam que o novo governo iraniano é controlado pelos mesmos aparelhos militares e tende a ser mais radical do que o anterior. Novo líder supremo Mojtaba Khamenei não é visto em público desde o início da guerra e a sua capacidade de governação permanece incerta

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou esta semana que o Irão já tem uma liderança “menos radical e muito mais razoável”, descrevendo a substituição dos líderes iranianos mortos nos bombardeamentos como mudança de regime. Analistas e especialistas ouvidos pela CNN contradizem essa avaliação, argumentando que o sistema de governo do país permanece o mesmo desde a Revolução Islâmica de 1979, com o poder concentrado nas mesmas facções militares de sempre.

“Este regime é mais radical, menos propenso a compromissos e, francamente, mais directamente ligado aos Guardiães da Revolução Islâmica”, afirmou Mona Yacoubian, directora do programa do Médio Oriente no Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais, em declarações à CNN. Yacoubian acrescentou que a substituição de líderes não se traduziu em qualquer alteração do poder efectivo nem da posição do país face aos Estados Unidos, segundo a CNN.

O novo líder supremo, Mojtaba Khamenei — filho do anterior —, não é visto em público desde o início do conflito, levantando dúvidas sobre o seu estado de saúde e sobre quem governa efectivamente o país, de acordo com a CNN. Os analistas sublinham que Mojtaba tem laços estreitos com os Guardiães da Revolução, que o elevaram ao cargo, tornando-o mais dependente da estrutura militar do que o seu pai.

Repressão interna agravada

A guerra terá reforçado a repressão interna. O governo iraniano esmagou protestos em Janeiro ao abrir fogo sobre manifestantes, e as autoridades levaram a cabo pelo menos nove execuções no último mês, algumas delas ligadas aos protestos do inverno, segundo a CNN. O acesso à internet está cortado em todo o país há 36 dias consecutivos, e palavras como “guerra” registam zero resultados nos motores de busca dentro do Irão, de acordo com um relatório do Miaan Group citado pela CNN. Na noite de quarta-feira, a advogada de direitos humanos Nasrin Sotoudeh foi detida em casa por forças de segurança, informou a sua filha, segundo a CNN.

“Este é um regime ferido e, se sobreviver, não vai ceder um milímetro à sua população, pelo menos não tão cedo”, afirmou Ali Vaez, director do projecto Irão no International Crisis Group, em declarações à CNN.

Ambições nucleares reforçadas

A guerra poderá também aproximar o Irão da obtenção de uma arma nuclear, segundo os especialistas ouvidos pela CNN. O anterior líder supremo, o ayatollah Ali Khamenei, tinha emitido uma fatwa — decreto religioso islâmico — proibindo a posse de armas nucleares, mas esse preceito morreu com ele. O Irão dispõe actualmente de mais de 400 quilogramas de urânio altamente enriquecido, segundo a CNN.

“É difícil imaginar como o regime poderia chegar a outra conclusão que não seja a de que a sua melhor esperança de dissuasão é a posse de uma arma nuclear”, disse Yacoubian à CNN. “A esta altura, não têm nada a perder.”

O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, adoptou um tom mais cauteloso do que Trump ao avaliar a nova liderança iraniana, admitindo publicamente “a possibilidade, talvez mesmo a probabilidade”, de que os novos responsáveis iranianos não sejam mais razoáveis do que os anteriores, segundo a CNN.

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