Na ITB Berlin 2026, Angola apresentou-se com uma ambição rara: não apenas participar, mas afirmar-se. Fê-lo com uma presença visível que reuniu activos e actores ligados ao turismo nacional, entre os quais a TAAG Angola Airlines, hotéis, parques nacionais, DMCs e o Banco Angolano de Investimentos (BAI), que levou ao certame o projecto “Conhecer Angola com o BAI”. Num sector em que a atenção é disputada à escala global, estar presente é importante. Mas saber o que se vai dizer ao mundo é ainda mais importante.
E é precisamente aqui que o tema merece reflexão. O turismo não é apenas uma indústria de infra-estruturas, operações e serviços. É, antes de tudo, uma indústria de percepção. Os destinos competem por investimento, por visitantes e por relevância simbólica. Competem pela capacidade de gerar interesse, confiança e desejo. Antes da reserva, há a reputação. Antes da viagem, há a imagem. Antes da decisão, há a narrativa.
Durante muito tempo, olhámos para o desenvolvimento do turismo quase exclusivamente a partir da lógica do investimento físico: hotéis, estradas, transportes, equipamentos, ordenamento. Tudo isso continua a ser essencial. Mas essa leitura, por si só, é insuficiente. Hoje, a competitividade turística de um país constrói-se também na esfera do posicionamento. Ou seja: na forma como o país se apresenta, se diferencia e se torna memorável.
Foi nesse plano que a presença do BAI na ITB Berlin ganhou relevância. Ao apresentar “Conhecer Angola com o BAI”, série audiovisual que percorre o país, mostrando paisagens, expressões culturais, modos de vida e elementos do património nacional, o banco não levou apenas um projecto. Levou uma narrativa. E, num mercado saturado de destinos a tentar captar atenção, narrativa é valor. Narrativa é activo. Narrativa é, muitas vezes, a antecâmara do investimento.
Importa sublinhá-lo: apoiar o turismo não significa apenas financiar operadores ou projectos hoteleiros. Significa também ajudar a construir um ambiente favorável à valorização do destino. Significa contribuir para a visibilidade externa do país. Significa reforçar os sinais de confiança junto de investidores, parceiros e mercados. Sob esse ponto de vista, o papel do sistema financeiro pode — e talvez deva — ser mais estratégico do que tradicionalmente se admite.
Os destinos que hoje ocupam posições consolidadas no turismo internacional não venceram apenas porque tinham praias, sol, cultura ou património. Venceram porque souberam transformar atributos em marca, marca em reputação e reputação em procura. Houve, nesses casos, uma articulação eficaz entre poder público, operadores privados, investimento e comunicação. O turismo começou a crescer de forma sustentada quando deixou de ser apenas um sector com potencial e passou a ser um sector com narrativa, consistência e ambição.
Angola tem todas as condições para fazer esse percurso. Tem diversidade natural, densidade cultural, autenticidade e escala territorial. O que lhe tem faltado, em muitos momentos, não é substância, mas continuidade e coordenação na forma de projectar essa substância. É por isso que iniciativas que ajudam a contar melhor o país não devem ser vistas como acessórios de comunicação. Devem ser entendidas como parte da arquitectura estratégica do desenvolvimento turístico.
Ao associar-se a esse esforço num palco como a ITB Berlin, o BAI dá um sinal relevante. Mostra que uma instituição financeira pode contribuir para o turismo para além da sua função clássica de financiador. Pode actuar como catalisador de confiança, como promotor de visibilidade e como participante activo na construção de uma imagem-país mais forte. Num contexto em que Angola procura acelerar a diversificação económica, este tipo de posicionamento tem peso real.
No fundo, a questão é simples: o turismo angolano não precisará apenas de mais investimento. Precisará também de mais presença, mais clareza e mais inteligência na forma como se apresenta ao mundo. E, nesse processo, o apoio da banca poderá revelar-se decisivo não apenas pelo capital que mobiliza, mas pela confiança e pela projecção que ajuda a construir.





