Crédito à economia cresce 22,6% e atinge AOA 7,37 biliões em 2025, diz o BNA

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O stock de crédito concedido à economia angolana atingiu AOA 7,37 biliões em Dezembro de 2025, representando expansão de 22,6% face ao ano anterior. O crescimento corresponde a aumento absoluto de AOA 1,36 biliões em novos financiamentos concedidos pelos bancos comerciais durante o ano, segundo dados divulgados na quarta-feira pelo Comité de Política Monetária (CPM) do Banco Nacional de Angola, reunido nos dias 13 e 14 de Janeiro em Luanda.

“O crédito à economia nos últimos anos ganhou um certo dinamismo, mas nós reconhecemos que estamos a vir de uma base extremamente baixa”, afirmou o governador do BNA durante a sessão de perguntas com jornalistas, admitindo que “os nossos rácios de crédito em relação ao PIB, por exemplo, é um rácio extremamente baixo”.

Expansão sustentada após crescimento recorde

A expansão de 22,6% em 2025 sucede crescimento de cerca de 30% registado em 2024, revelando “uma mudança muito substancial naquilo que é a intermediação financeira”, segundo o governador, que atribuiu o desempenho positivo à implementação do aviso 10 pelo banco central.

“Os bancos comerciais, na sequência da implementação particularmente do aviso 10, têm tido uma atitude muito positiva relativamente ao crédito à economia”, afirmou o responsável, considerando que, “para uma economia que ainda tem níveis de inflação relativamente altos”, os crescimentos observados em 2024 e 2025 representam mudança significativa no comportamento das instituições financeiras.

Crédito mal parado e garantias limitam expansão

O governador reconheceu persistência de factores que condicionam maior dinamismo na concessão de crédito, destacando os níveis elevados de crédito mal parado. “É óbvio que ainda existem factores que fazem com que os bancos comerciais sejam extremamente exigentes na concessão de crédito, e refiro-me em particular aos níveis de crédito mal parado, que são altos comparativamente àquilo que se observa em economias como a nossa”, afirmou.

A questão das garantias constitui outro obstáculo à expansão do financiamento bancário. “É necessário que os mutuários apresentem garantias aos bancos, mas infelizmente os clientes ainda têm dificuldades em dar garantias de reembolso dos créditos que lhes são concedidos pelos bancos comerciais”, explicou o governador.

Redução de juros pode impulsionar financiamento

A redução da taxa BNA de 18,5% para 17,5%, decidida pelo CPM na reunião de 13 e 14 de Janeiro, poderá ter impacto positivo na concessão de crédito nos próximos meses, segundo perspectivas apresentadas pelo banco central.

“Com uma inflação mais baixa, o que se espera, na sequência da redução das taxas de política pelo Banco Central, é também uma redução que comece pelo mercado monetário interbancário e posteriormente nas taxas activas que são praticadas pelos bancos comerciais”, afirmou o governador, acrescentando: “Com taxas mais baixas também, muito provavelmente, nós iremos assistir a uma dinâmica maior no que diz respeito à concessão de crédito”.

A taxa de inflação fixou 15,7% em Dezembro de 2025, redução de 11,8 pontos percentuais face aos 27,5% registados em 2024, segundo dados divulgados pelo BNA. Para 2026, o banco central projecta desaceleração para 13,5%.

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