Reunião entre Israel e Líbano em Washington pode determinar o futuro do cessar-fogo entre os EUA e o Irão

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Ambiguidade sobre se o acordo abrange o território libanês transforma qualquer ataque israelita ao Hezbollah num potencial gatilho para a retomada do conflito.Hezbollah rejeita as negociações directas entre Beirute e Telavive e classifica o encontro como violação da constituição libanesa

A reunião marcada para terça-feira, dia 14, entre representantes de Israel e do Líbano no Departamento de Estado norte-americano, em Washington, pode ser o momento mais delicado para o cessar-fogo anunciado entre os Estados Unidos e o Irão, revelou o Times Brasil a 12 de Abril, citando a análise de Maziyar Ghiabi, professor da Universidade de Exeter e director do Centro de Estudos Persas e Iranianos, no programa Squawk Box Europe da CNBC Internacional.

A questão central não resolvida pelo acordo de cessar-fogo é se este abrange ou não o território libanês. As autoridades norte-americanas e Israel sustentam que não. O Irão e alguns mediadores defendem o contrário. Esta divergência significa que qualquer ataque israelita contra o Hezbollah no sul do Líbano pode ser interpretado por Teerão como violação do cessar-fogo, reabrindo o conflito, segundo o Times Brasil. “O Líbano deixa de ser um actor periférico e passa a ser central na equação”, afirmou Ghiabi, citado pelo Times Brasil.

Israel negoceia, mas não com o Hezbollah

O embaixador israelita nos Estados Unidos, Yechiel Leiter, confirmou que Israel concordou em iniciar negociações formais de paz com o Líbano, apesar da ausência de relações diplomáticas entre os dois países. O encontro foi acertado numa chamada telefónica com a embaixadora libanesa nos EUA, Nada Hamadeh Mouawad, segundo o Times Brasil. Leiter foi porém categórico: Israel recusa-se a negociar um cessar-fogo directamente com o Hezbollah, classificado como organização terrorista pelo governo israelita, de acordo com a mesma fonte.

O Hezbollah rejeitou imediatamente as negociações. O deputado Hassan Fadlallah, ligado ao grupo, classificou a decisão de negociar directamente com Israel como “violação flagrante do pacto nacional, da constituição e das leis libanesas”, segundo o Times Brasil. Centenas de pessoas manifestaram-se em Beirute no sábado contra as negociações, alguns carregando imagens do líder do Hezbollah Hassan Nasrallah, morto durante o conflito, de acordo com a mesma fonte.

O primeiro-ministro do Líbano, Nawaf Salam, adiou entretanto uma viagem planeada aos Estados Unidos, onde deveria reunir-se com o secretário de Estado Marco Rubio, citando a necessidade de salvaguardar a segurança interna do país, segundo o Times Brasil. Não ficou claro de imediato se o adiamento afectaria a reunião de terça.

O Ministério da Saúde libanês confirmou pelo menos dois mil e vinte mortos e mais de seis mil e quatrocentos feridos desde que o país foi arrastado para o conflito a 2 de Março, quando o Hezbollah lançou foguetões contra Israel em apoio ao Irão, de acordo com o Times Brasil. Apenas no sábado, ataques israelitas mataram pelo menos 18 pessoas no sul do Líbano, incluindo três socorristas.

Para analistas citados pelo Times Brasil, o acordo de cessar-fogo entre os EUA e o Irão é mais táctico do que estrutural, reduzindo tensões no curto prazo sem resolver os pontos centrais do conflito, sendo a ausência de consenso sobre o Líbano o exemplo mais visível dessa fragilidade.

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