BNA reduz taxa directora para 17,5% e projecta crescimento de 3,5% em 2026

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O Banco Nacional de Angola cortou a taxa BNA em um ponto percentual, de 18,5% para 17,5%, com base na desaceleração da inflação e perspectiva de crescimento económico de 3,5% este ano.

O Comité de Política Monetária (CPM), reunido nos dias 13 e 14 de Janeiro em Luanda, decidiu reduzir a taxa de juro da facilidade permanente de cedência de liquidez de 19,5% para 18,5%, mantendo a taxa de absorção em 16,5%, segundo comunicado divulgado na quarta-feira.

A decisão foi justificada pela “desaceleração consistente da inflação” que fixou 15,7% em Dezembro de 2025, superando o objectivo definido para o ano, bem como pela “perspectiva de manutenção desta tendência nos próximos meses”, segundo o governador do BNA, Manuel António Tiago Dias.

Crescimento liderado por sectores não-petrolíferos

A economia angolana registou crescimento de 2,6% em 2025, impulsionado pela expansão de 4,3% do sector não-petrolífero, que compensou a contracção de 4,6% da actividade petrolífera, de acordo com estimativas do banco central baseadas em dados do Instituto Nacional de Estatística referentes ao terceiro trimestre.

Para 2026, o BNA projecta crescimento do Produto Interno Bruto de 3,5%, sustentado por expansão de 4,5% do sector não-petrolífero e recuperação de 1,1% da produção petrolífera. “Perspectivamos que o setor petrolífero venha a crescer 1,1% em 2026”, afirmou Manuel António Tiago Dias durante a sessão de perguntas com jornalistas.

A indústria transformadora liderou o crescimento não-petrolífero em 2025 com expansão de 7,2%, seguida pelo comércio com 6,3% e pela agropecuária e silvicultura com 3,3%, segundo dados divulgados pelo CPM.

Oferta regular de divisas cresceu 23%

O mercado cambial primário registou aumento de 23% na oferta regular de divisas em 2025, passando de USD 7.895 milhões para USD 9.689 milhões, segundo o BNA. A oferta global, incluindo vendas pontuais do Tesouro Nacional e do banco central, totalizou USD 12.000 milhões.

O governador revelou mudança estrutural no papel do BNA como fornecedor de moeda estrangeira ao mercado. “O BNA deixou de ser um actor activo em termos de vendas de divisas a nível do mercado cambial”, afirmou Manuel António Tiago Dias, precisando que o banco central vendeu apenas USD 489 milhões dos USD 12.000 milhões transaccionados em 2025.

As companhias petrolíferas venderam “um pouco mais de USD 5.000 milhões”, as diamantíferas cerca de USD 1.300 milhões e clientes diversos — incluindo empresas sem acesso à plataforma Bloomberg, particulares, ONGs e embaixadas — cerca de USD 3.300 milhões, segundo o governador. O Tesouro Nacional vendeu USD 1.800 milhões.

A oferta regular média cifrou-se em cerca de USD 850 milhões por mês, contribuindo para a estabilidade cambial observada ao longo do ano, de acordo com o comunicado do CPM.

Reservas garantem 7,6 meses de importações

O stock de reservas internacionais fixou-se em USD 15.003 milhões no final de 2025, face aos USD 15.767 milhões registados no ano anterior, representando aumento de USD 136 milhões durante o ano. Este nível garante cobertura de 7,6 meses de importação de bens e serviços.

Manuel António Tiago Dias explicou que as reservas “só são afectadas quando o Banco Nacional de Angola vende divisas ao mercado, quando faz pagamentos de despesas próprias do Banco Nacional de Angola ou quando concede financiamentos ao Tesouro ao abrigo da lei” do banco central, reiterando que as transacções regulares do mercado “praticamente não têm impacto nas nossas reservas internacionais”.

Estabilidade cambial esperada no primeiro trimestre

Para o primeiro trimestre de 2026, o BNA perspectiva estabilidade no mercado cambial. “As condições actuais prevalecentes na economia levam-nos a crer que não haverá grandes alterações a nível do mercado cambial” até à próxima reunião do CPM, marcada para 11 e 12 de Março na cidade de Moçâmedes, província do Namibe, afirmou o governador.

Manuel António Tiago Dias recusou apresentar projecções específicas para a taxa de câmbio, prática que disse não ser adoptada pelo BNA nem pelo Fundo Monetário Internacional. Confrontado com alegações de gestão administrativa da taxa de câmbio devido à uniformidade das taxas indicativas dos bancos comerciais, o governador rejeitou a acusação: “Não existe a tal gestão administrativa da taxa de câmbio”.

O governador disse que o banco central “também se surpreende” com a uniformidade das taxas indicativas praticadas pelos bancos comerciais, incluindo as casas decimais, e sugeriu que os jornalistas façam essa pergunta directamente às instituições financeiras. “Não é o Banco Nacional de Angola que diz aos bancos comerciais que vocês devem ter esta taxa indicativa”, afirmou.

O sector externo registou redução de 38% no saldo da conta de bens, que atingiu USD 14.014 milhões face aos USD 22.604 milhões do período homólogo de 2024, resultado do decréscimo de 19,14% nas exportações e do aumento de cerca de 11% nas importações.

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