A ausência de uma orientação estratégica clara e a incapacidade de compreender as prioridades de cada fase do negócio continuam a ser os factores que mais precipitam o encerramento precoce de empresas em Angola. O alerta foi lançado por Maurício Guimarães, Director Executivo do Grupo Acelerador Angola, durante o Primeiro Encontro dos Membros do Programa Giants, realizado esta sexta-feira (28.11), em Luanda.
De acordo com o responsável, grande parte das empresas nacionais “falha porque não sabe qual o passo certo a dar em cada etapa do ciclo empresarial”, avançando para áreas de excelência ou processos internos quando ainda não consolidou aspectos básicos como vendas, fluxos de caixa ou estruturação mínima da equipa. “A falta de clareza estratégica, associada à ausência de receita, de equipas preparadas e de procedimentos elementares, leva muitos negócios a regressarem continuamente ao ponto de partida”, afirmou.
Maurício Guimarães explicou que o ciclo de desenvolvimento empresarial assenta em quatro fases — vendas, construção de equipa, melhoria de processos e excelência — e que muitos empreendedores procuram saltar etapas sem garantir os fundamentos. “Há empresários que querem trabalhar processos e diferenciação quando ainda precisam de se concentrar exclusivamente em vender. Sem vendas, não há sustentabilidade nem margem para pensar em competitividade”, sublinhou.
O encontro, que decorre até sábado (29.11), junta 40 empresários integrados no programa de maestria empresarial Giants. A iniciativa inclui sessões de mentoria, palestras técnicas e debates aplicados, orientados para a implementação prática das metodologias da escola de negócios internacional O Acelerador. Atendendo aos desafios das empresas locais, Maurício Guimarães anunciou ainda que, em 2026, serão lançados novos formatos de formação para pequenas, médias e grandes empresas, com o objectivo de fortalecer a profissionalização da gestão no país.
Os dados oficiais confirmam a gravidade do cenário. De acordo com o Guiché Único do Empreendedor, mais de 150 empresas angolanas comunicaram o encerramento das suas actividades no primeiro semestre de 2025 — um aumento de 107% face ao período homólogo. A desvalorização cambial, as dificuldades de acesso a divisas, a perda do poder de compra e a elevada carga fiscal têm levado muitos empresários a recuar ou a migrar para o sector informal.





