Empresa reserva os processos de fabrico mais avançados para chips Xeon destinados a centros de dados, onde as margens de lucro são superiores. Preço de um Core i9-14900K ronda os 500 euros, valor que a concorrência da AMD contesta com alternativas mais baratas e tecnicamente competitivas
A Intel decidiu prolongar a presença dos processadores de 14.ª geração, também conhecidos como Raptor Lake Refresh, no mercado de consumo, garantindo o seu abastecimento contínuo e o suporte a placas-mãe compatíveis com memória DDR4 e DDR5, revelou o TugaTech a 6 de Abril, com base em informação do site de tecnologia Club386. A motivação central da estratégia é libertar os processos de fabrico mais recentes da empresa para a produção de chips Xeon destinados a centros de dados e servidores de inteligência artificial, onde as margens de lucro são significativamente superiores.
Do ponto de vista técnico, os processadores de 14.ª geração utilizam um processo de fabrico designado Intel 7, de litografia mais antiga e menos dispendiosa. A nova arquitectura Core Ultra 200 exige processos de fabrico de três, cinco e seis nanómetros fornecidos pela TSMC, de custo muito mais elevado, segundo o TugaTech. A empresa prefere reservar estes nós avançados para os chips profissionais que servem o mercado da inteligência artificial, tornando menos rentável a sua aplicação no segmento de consumo geral.
Preços sobem apesar da tecnologia mais antiga
A manutenção de uma plataforma tecnologicamente mais antiga não se traduz em preços mais baixos. A Intel aumentou os preços dos seus processadores de consumo por duas vezes no decorrer deste ano, com uma terceira subida anunciada para Maio, de acordo com o TugaTech. Um Core i9-14900K, lançado no final de 2023, custa actualmente cerca de 500 euros no mercado europeu.
A concorrência directa da AMD pressiona este posicionamento: o Ryzen 7 7800X3D pode ser adquirido por pouco mais de 300 euros em plataformas de comércio electrónico, deixando margem suficiente para investir num kit de memória DDR5 e ainda assim resultar num sistema mais potente e económico, segundo o TugaTech. Robert Hallock, antigo director de marketing da AMD e actualmente executivo na Intel, confirmou ao Club386 que os processadores Raptor Lake continuarão amplamente disponíveis nas lojas.
A estratégia prolonga igualmente a longevidade do socket LGA1700, que já soma cinco anos no mercado, ao incentivar a produção de placas-mãe com suporte para DDR4 e evitar forçar os consumidores a uma transição dispendiosa para novos ecossistemas de hardware, de acordo com o TugaTech.




