A cidade do Alasca onde toda a população vive dentro de um único edifício de 14 andares

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Whittier, localizada a cerca de 100 quilómetros a sudeste de Anchorage, é acessível apenas por um túnel de quatro quilómetros que encerra durante a noite.O edifício Begich Towers aloja entre 200 e 260 habitantes e contém correios, mercearia, lavandaria, igreja e clínica de saúde

A cidade de Whittier, no estado norte-americano do Alasca, não tem bairros, nem ruas residenciais, nem a distância habitual entre vizinhos. Quase toda a sua população vive dentro de um único edifício de 14 andares chamado Begich Towers, revelou o site de viagens Far & Wide a 5 de Abril, reproduzido pelo portal AOL.

Situada à beira do Canal Passage e rodeada por montanhas escarpadas e águas abertas, Whittier só é acessível por um túnel de 2,5 milhas — cerca de quatro quilómetros — que permite circulação num único sentido de cada vez e encerra durante a noite, segundo o Far & Wide. O isolamento resultante desta configuração geográfica moldou o modo de vida da cidade ao longo de décadas.

O Begich Towers foi originalmente construído como quartel militar a meados do século XX para albergar centenas de militares e suas famílias num ambiente controlado e hostil. O exército norte-americano desenvolveu a área como porto seguro, aproveitando a protecção natural das montanhas envolventes e a frequente cobertura de nuvens. Quando as forças armadas abandonaram o local em 1960, os residentes que permaneceram concentraram-se no edifício em vez de se dispersarem pela paisagem, de acordo com o Far & Wide.

Vida em espaço partilhado

O edifício contém cerca de 200 apartamentos e alberga toda a infraestrutura essencial da cidade: correios, mercearia, lavandaria, igreja e clínica de saúde básica, segundo o Far & Wide. As condições climáticas justificam plenamente este arranjo: a queda de neve anual pode atingir os 22 pés — cerca de seis metros e meio — e os ventos de inverno ultrapassam regularmente os 100 quilómetros por hora. Os alunos da escola local deslocam-se através de um túnel subterrâneo que liga o edifício ao estabelecimento de ensino, sem necessidade de sair para o exterior.

A vida em espaço tão partilhado cria dinâmicas sociais particulares: professores encontram os seus alunos no corredor fora do horário lectivo, os comerciantes vivem no mesmo edifício que os seus clientes e os residentes cruzam-se inevitavelmente nos serviços do dia-a-dia, de acordo com o Far & Wide. O abastecimento de géneros é planeado com antecedência a partir de Anchorage, e os habitantes mantêm reservas de alimentos para fazer face a eventuais interrupções causadas pelo mau tempo ou pelo encerramento do túnel.

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