Economista-chefe da Apollo estima que as dez maiores acções do S&P 500 poderão representar 50% do índice caso SpaceX, OpenAI e Anthropic se cotarem em bolsa. Analistas alertam que a concentração actual é a mais elevada desde a Grande Depressão dos anos 1930, expondo investidores a riscos sistémicos
As dez maiores empresas do índice bolsista norte-americano S&P 500 já representam quase 40% do seu valor total, o nível de concentração mais elevado desde a Grande Depressão. Se a SpaceX, a OpenAI e a Anthropic aderirem ao índice após as suas previstas ofertas públicas iniciais, esse peso poderá aproximar-se dos 50%, alertou Torsten Slok, economista-chefe da gestora de activos Apollo, em análise citada pelo Business Insider a 18 de Março.
A concentração actual contrasta com 1932, quando as dez maiores empresas do índice incluíam nomes como a AT&T, a General Motors e a DuPont. Hoje, o topo do S&P 500 é dominado por empresas tecnológicas e de inteligência artificial, lideradas pela Nvidia, segundo o Business Insider. A RBC Wealth Management designou o fenómeno de “Grande Estreitamento” e classificou-o como uma das principais preocupações para os investidores.
O risco do investidor passivo
O S&P 500 é historicamente considerado um investimento diversificado na economia norte-americana, mas a sua estrutura ponderada pela capitalização bolsista significa que mais de 40 dólares em cada 100 investidos no índice fluem para apenas dez empresas, criando um ciclo em que o capital passivo reforça desproporcionalmente as maiores posições, independentemente dos seus fundamentos económicos, de acordo com o Business Insider.
Cullen Rogers, gestor do fundo EXEQ da Wedbush, alertou que os investidores podem julgar estar diversificados quando na prática estão a fazer uma aposta estrutural num conjunto restrito de empresas, em declarações ao Business Insider. Steve Sosnick, estrategista-chefe da corretora Interactive Brokers, acrescentou que mesmo os investidores em instrumentos passivos que replicam o S&P 500 estão a fazer uma aposta implícita significativa na inteligência artificial e em tecnologia, frequentemente sem o reconhecerem, segundo o Business Insider.
Richard Bookstaber, veterano de Wall Street que antecipou a crise financeira de 2008, classificou o actual nível de concentração como “sem precedentes” e “perigoso”, advertindo que um problema numa das empresas dominantes pode propagar-se por todo o mercado em vez de ser absorvido por ele, conforme citado pelo Business Insider.




