Renovação parcial do Conselho de Administração, aprovada por unanimidade pelos accionistas, mantém os responsáveis pelas áreas operacionais e reforça as pastas comercial e financeira
A TAAG – Linhas Aéreas de Angola tem um novo rosto à frente da gestão executiva. O Ministério dos Transportes anunciou esta semana a actualização da composição do Conselho de Administração da companhia, aprovada por unanimidade pelos accionistas, com a nomeação de Jaime Miguel Ferreira Carneiro para o cargo de presidente da Comissão Executiva.
A escolha consolida um percurso que já vinha a ser desenhado dentro da própria empresa. Carneiro integrou a equipa de gestão da TAAG em Dezembro de 2023 e foi nomeado Chief Commercial Officer em Agosto de 2024, função a partir da qual liderou o reposicionamento comercial da transportadora, com enfoque no crescimento de receitas, em parcerias estratégicas e na maximização de vendas. Antes da TAAG, o seu percurso passou por funções de consultoria para o Ministério dos Transportes, pelo Fundo Soberano de Angola — onde liderou a área de investimentos alternativos —, pela presidência da FINICAPITAL e pela co-fundação da JETCAPITAL Aviation, tendo começado a carreira como analista de aviação na ExxonMobil. A formação inclui Gestão Aeronáutica pela Embry-Riddle Aeronautical University, um mestrado em Business pelo IESE Business School e uma pós-graduação em Estratégia e Inovação por Oxford — um perfil que combina aviação, finanças e estratégia, justamente as três áreas identificadas como prioritárias para a nova fase da companhia.
Continuidade nas operações, renovação na estratégia
A reestruturação não é uma ruptura total. Para as áreas Comercial e Financeira foram nomeados, respectivamente, Joelson da Silva de Sá e Vasconcelos e Sandro da Cunha Pereira Africano, como administradores executivos, enquanto duas administradoras não executivas — Maria Elília Leitão Luís Ricardo e Cláudia Cristina Silva Gomes Pires Palege Jasse — passam a integrar o órgão, com o objectivo de reforçar a diversidade de competências e a capacidade de supervisão estratégica do conselho.
Já nas áreas operacionais, a opção foi pela continuidade: mantêm-se os responsáveis pelas Operações, pela Manutenção e Engenharia, e pela área Jurídica e de Recursos Humanos, além de três administradores não executivos. A leitura é clara — preservar estabilidade técnica enquanto se renova a liderança financeira e estratégica, numa companhia que continua a ser propriedade do Estado angolano.
Transformação como prioridade política
O enquadramento dado pelo Ministério dos Transportes situa esta remodelação numa nova etapa de consolidação da transformação da TAAG, centrada na eficiência operacional, na melhoria dos indicadores de desempenho e no reforço da competitividade da companhia face à concorrência regional. É um discurso que já acompanha a TAAG há vários anos, mas que ganha agora um teste prático: a sustentabilidade económico-financeira da transportadora continua a ser o principal ponto de pressão, num sector aéreo africano cada vez mais competitivo e onde companhias de bandeira enfrentam escrutínio crescente sobre a sua viabilidade sem apoio estatal contínuo.
Para o mercado angolano, a nomeação de Carneiro — com perfil que une aviação, mercados financeiros e gestão de fundos — sinaliza que a prioridade da nova administração passará tanto pela racionalização de custos como pela capacidade de atrair receita e parcerias, dois eixos que têm faltado consistentemente à transportadora nas últimas duas décadas.





