A Walt Disney Company apresentou, esta quarta-feira, resultados trimestrais superiores às previsões e anunciou uma revisão em alta da sua estimativa de lucro anual, impulsionada pelo desempenho do seu negócio de streaming, que deverá tornar-se o eixo central da estratégia de crescimento nos próximos anos.
Nas últimas 24 horas, o grupo de media e entretenimento celebrou dois acordos de grande dimensão com a National Football League (NFL) e a WWE, preparando o lançamento do serviço ESPN streaming, com assinatura mensal de 29,99 dólares, que dará acesso a eventos desportivos como os jogos da NFL e da National Basketball Association (NBA).
A Disney aposta na integração dos serviços Disney+, Hulu e ESPN numa única aplicação, como forma de estimular o crescimento do segmento digital e compensar as perdas registadas na televisão tradicional. A empresa estima que o seu negócio directo ao consumidor gere 1,3 mil milhões de dólares em rendimento operacional até ao final do ano fiscal, um aumento de 30% face à previsão inicial.
“Vamos agrupar esse trio — Disney+, Hulu e ESPN — numa única plataforma,” afirmou o CEO Bob Iger, sublinhando tratar-se de “uma oportunidade para reduzir a rotatividade e aumentar o envolvimento”. O pacote será disponibilizado como promoção anual ao preço de 29,99 dólares.
A Disney revelou ainda um acordo estratégico com a NFL, que prevê a aquisição da NFL Network e outros activos mediáticos em troca de uma participação de 10% na ESPN, reforçando a oferta para os adeptos de futebol americano. O negócio aguarda aprovação regulatória.
A empresa garantiu também direitos exclusivos de transmissão de eventos de luta livre, incluindo o WrestleMania e o Royal Rumble, que estarão disponíveis na nova plataforma a partir de 21 de Agosto.
“O lançamento antecipado do serviço ESPN streaming deverá impulsionar significativamente as receitas do segmento directo ao consumidor da Disney,” afirmou Mike Proulx, vice-presidente da Forrester. > “Com os acordos com a NFL e a WWE, a Disney está a acelerar a conquista de direitos desportivos. É mais uma prova de que a nova frente da guerra do streaming passa pelos conteúdos desportivos em directo.”
Apesar dos resultados positivos, as acções da Disney caíram 3% nas primeiras horas de negociação, reflectindo preocupações dos investidores com o desempenho da televisão linear, cujo rendimento operacional caiu 28%.
“Os investidores já antecipavam uma quebra na televisão tradicional, mas os números foram piores do que o esperado,” comentou Ben Barringer, responsável pela área de tecnologia na Quilter Cheviot. “É uma tendência transversal ao sector, e há pouco que se possa fazer para travá-la.”
Durante a conferência com investidores, o destaque foi para os negócios ligados ao desporto e às experiências, com a empresa a expandir os parques temáticos internacionais e a reforçar a sua linha de cruzeiros.
O Director Financeiro Hugh Johnston revelou que o Walt Disney World registou um terceiro trimestre recorde, com reservas para o quarto trimestre a crescerem 6%.





