Especialistas internacionais e nacionais debatem o futuro da Inteligência Artificial em Luanda
A Conferência Internacional de Inteligência Artificial (CIIA), marcada para o dia 4 de Dezembro em Luanda, prevê reunir oradores de relevância global que partilharão as suas experiências e reflexões sobre o impacto da Inteligência Artificial na economia, na inovação e na soberania digital. O evento contará com a presença de líderes de empresas tecnológicas globais, executivos de prestígio e especialistas em cibersegurança, ciência de dados e transformação digital, consolidando-se como o maior fórum de debate sobre IA em Angola.
Ao longo do dia, a CIIA incluirá conferências e workshops que abordarão temas como estratégias para a adoção da IA, ética e regulação, aplicações práticas em sectores-chave — saúde, educação, energia, finanças, telecomunicações, entre outros —, bem como os impactos sociais e económicos desta revolução tecnológica.
Os workshops direcionados a empresas e profissionais terão como objectivo proporcionar uma experiência prática e enriquecedora. Será disponibilizado um espaço interactivo dedicado à discussão de aplicações reais da IA em variados sectores, promovendo colaborações entre os sectores público, privado e académico.
Para além das palestras e debates do evento principal, a CIIA contará com workshops para empresas, no segundo dia, destinados a tornar a experiência mais dinâmica e enriquecedora. Segundo a organização, será um espaço interactivo dedicado à discussão de aplicações reais da IA em múltiplos sectores, promovendo colaborações entre o sector público, privado e o meio académico. Estarão igualmente disponíveis inúmeras oportunidades de networking com profissionais influentes, criando um ambiente propício à partilha de experiências, geração de negócios e estabelecimento de parcerias estratégicas.
Euclides Miguel Agapito, porta-voz da comissão organizadora da CIIA, destaca que a iniciativa surge num momento decisivo, em que a IA deixa de ser uma promessa tecnológica para se afirmar como força motriz da transformação digital. “A IA está a transformar setores, a impulsionar negócios e a redefinir o futuro da inovação, não só no mundo, mas também em Angola”, sublinha.
O porta-voz acrescenta que Angola tem assistido a uma adopção crescente de soluções baseadas em IA, particularmente nas telecomunicações, finanças, saúde, educação e serviços públicos, onde várias empresas já implementam sistemas inteligentes para optimizar processos, reduzir custos e melhorar a experiência do consumidor. “Estamos a entrar numa nova era de competitividade, e Angola não pode ficar à margem deste movimento global.”
Para Euclides Agapito, a CIIA representa mais do que uma conferência: é um ponto de encontro entre conhecimento, inovação e estratégia, onde académicos, empresários e decisores políticos poderão discutir o papel da IA no desenvolvimento sustentável e na soberania digital do país. “Queremos que esta conferência seja um catalisador para a criação de um ecossistema angolano de inovação, capaz de gerar soluções locais com impacto global”, explica. “Trata-se de um apelo a uma diplomacia africana visionária e a uma participação corajosa na definição de uma nova agenda global. A presença de decisores, líderes empresariais e inovadores é essencial para garantir que Angola ocupe o lugar que lhe cabe nos debates internacionais sobre ética digital, inovação e governação.”
Com palestrantes de renome provenientes de empresas como Google, Verizon, Raxio, Deloitte e Unitel, o evento pretende inspirar novas parcerias e fomentar debates qualificados sobre desafios éticos, económicos e jurídicos associados ao avanço da IA. “A inteligência artificial é actualmente o motor da transformação digital, e esta conferência é um convite para que Angola assuma a sua posição na vanguarda desta revolução”, conclui.
Entre os nomes confirmados estão Maria Miguel Pinto (PhD), directora-geral da Raxio Angola, e António Nunes, presidente da ANTOSC e da Anglobal Internacional, figuras-chave da infraestrutura digital e das telecomunicações no país. A nível internacional, destacam-se Raphael Barini, do Google, e Deepinder Chhabra, da Verizon, que trarão ao público angolano uma perspectiva global sobre a inovação tecnológica e a segurança digital. Do sector financeiro, destaca-se a presença de Gulamo Nabi, CEO da Unitel Money, com um foco na transformação digital do sistema financeiro africano.
A conferência contará ainda com especialistas de referência como Daniel Ferreira (PhD), da Deloitte, Gabriel Calado (EY), Rodolfo Avelino (Comitê Gestor da Internet do Brasil) e Dinis Cruz, da The Cyber Boardroom, e outros nomes de referência em inteligência artificial generativa. O evento inclui também profissionais angolanos e internacionais ligados à academia e à inovação, como o Professor Doutor Nilton Correia da Silva (AI LAB), Osvaldo Ramos (UCAN), Dan Egorov (Luanda International School), Jaime Teixeira Duarte (Unitel), Euclides Mfumu (Standard Bank Angola), Gaspar Micolo (DT Advogados), Adaldino Sapi (GoCloudCareers), Felipe Batista Retke (ETIC), Ricardo Villela (AI & Digital Transformation), entre outros. O evento reunirá especialistas em IA, cibersegurança, ciência de dados, gestão e ética tecnológica, reforçando o papel de Angola como polo emergente de debate sobre o futuro digital no continente.
A CIIA ocorre num momento particularmente significativo para o país, que deu um passo crucial rumo à regulação da Inteligência Artificial com a recente proposta de lei apresentada pelo Ministério das Telecomunicações, Tecnologias de Informação e Comunicação Social (MINTTICS). Actualmente em consulta pública até 28 de Novembro, este documento representa um marco pioneiro na criação de um quadro jurídico robusto e ético para o desenvolvimento, implementação e uso responsável da IA em Angola. A conjugação entre o avanço legislativo e a realização da CIIA reforça a pertinência do debate e evidencia a maturidade crescente do ecossistema digital angolano.
Segundo a organização, “estamos a entrar numa nova era em que a inteligência artificial está a transformar não apenas as economias, mas também os instrumentos de poder e influência. Algoritmos, infraestruturas digitais e gestão de dados tornam-se tão decisivos quanto o poderio militar ou o capital financeiro. Para África em geral, e para Angola em particular, este é um momento histórico para reafirmar a soberania, redefinir posicionamentos internacionais e garantir que interesses e realidades africanas estejam presentes nas regras que moldarão o futuro digital global.”
A IA também abre caminhos inéditos para a cooperação global e a prosperidade partilhada. Empresas e instituições públicas africanas têm agora a oportunidade de deixar de ser meros receptores passivos de inovação para se tornarem parceiros iguais, co-criadores e definidores de padrões no cenário internacional.
O evento promoverá a construção de alianças criativas e transregionais, destacará o talento angolano, a riqueza mineral estratégica e a visão para um crescimento inclusivo e sustentável, garantindo que investimentos e parcerias tragam benefícios abrangentes — desde a criação de empregos qualificados à infraestrutura digital de classe mundial.





