SODIAM comercializa 13,9 milhões de quilates nos primeiros 10 meses de 2025

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Volume aumenta 120% face a 2024 mas preço médio cai 36% para USD 104/quilate. Estratégia de não acumulação de stocks da Catoca e Luele impulsiona vendas mas reflecte crise global de diamantes. Receita fiscal cresce 30,5% para USD 108,9 milhões

A Empresa Nacional de Comercialização de Diamantes de Angola (SODIAM E.P.) comercializou 13,9 milhões de quilates de diamantes brutos entre Janeiro e Outubro de 2025, registando um aumento de 7,6 milhões de quilates face ao período homólogo de 2024, revelou o Presidente do Conselho de Administração, Eugénio Bravo da Rosa, esta segunda-feira, assinalando o 26.º aniversário da empresa.


A receita bruta total fixou-se em USD 1,4 mil milhões, uma subida de USD 338,5 milhões (+31,8%) face aos primeiros 10 meses de 2024, apesar de o preço médio por quilate ter caído 36,4% — de USD 163,82 para USD 104,08 — reflectindo a conjuntura de crise no mercado internacional de diamantes.


“Apesar deste contexto adverso, a nossa estratégia operacional trouxe resultados notáveis no volume”, afirmou Bravo da Rosa em mensagem institucional divulgada no website da empresa, destacando que o aumento foi “justificado especialmente pela estratégia de não realização de stocks” das minas Luele (+176%) e Catoca (+342%).


Receita fiscal sobe 30,5% para USD 108,9 milhões
A estratégia de acelerar vendas em vez de acumular stocks — numa aposta que privilegia fluxo de caixa imediato sobre espera por melhores preços — teve impacto directo nas finanças do Estado: a receita fiscal (royalties e Imposto Industrial Antecipado) atingiu USD 108,9 milhões, um aumento de 30,5% face a 2024.


“Este aumento comprova o impacto positivo da estratégia de não realização de stocks na receita do Estado”, sublinhou o PCA, numa indicação de que a SODIAM privilegiou maximizar contribuição fiscal a curto prazo face à volatilidade de mercado, em vez de aguardar recuperação de preços.


Catoca e Luele dominam 91% do volume comercializado


A produção industrial representou 99,8% do volume e da receita global comercializada pela SODIAM nos primeiros 10 meses. A mina de Catoca — a quarta maior mina de diamantes do mundo — contribuiu com 49% do volume (6,81 milhões de quilates) e 37,2% da receita (USD 520,8 milhões).


A mina do Luele, operada pela Sociedade Mineira do Luele, registou participação de 42% do volume (5,84 milhões de quilates) e 28,3% da receita (USD 396,2 milhões).


O aumento expressivo de produção destas duas minas — Luele cresceu 176% e Catoca 342% face a 2024 — explica simultaneamente o boom de volume e a queda do preço médio, dado que ambas produzem diamantes de menor valor unitário comparativamente a minas como Lulo (detida pela Lucapa Diamond) que produz pedras de gema de altíssimo valor mas menor volume.
Três leilões arrecadam USD 47,8 milhões.


A SODIAM realizou três sessões de leilão (tenders) de diamantes brutos no período, onde foram leiloados 3,8 mil quilates que geraram USD 47,8 milhões — equivalente a um preço médio de USD 12.579 por quilate, 120 vezes superior ao preço médio geral (USD 104).


Os leilões concentram-se em pedras de alta qualidade gema, especialmente diamantes grandes (+2 quilates) e de características excepcionais, atracando coleccionadores, joalheiros de luxo e investidores que pagam prémios significativos por exemplares raros.


Mercado global em crise: stocks altos, sintéticos e China estagnada


Bravo da Rosa contextualizou a queda de 36% no preço médio citando múltiplos factores adversos no mercado internacional:
— Stocks altos de diamantes lapidados: Retalhistas e distribuidores acumularam inventário, reduzindo procura por brutos
— Concorrência de diamantes sintéticos: Diamantes cultivados em laboratório (lab-grown) ganharam quota de mercado, pressionando preços dos naturais
— Incertezas económicas globais: Inflação, guerras (Ucrânia, Gaza), instabilidade financeira reduziram consumo de luxo
— Tarifas comerciais dos EUA: Políticas proteccionistas afectaram fluxos comerciais
— China estagnada: “Mercado chinês encontra-se praticamente estagnado”, afirmou o PCA, destacando que a China — segundo maior consumidor mundial de diamantes — reduziu drasticamente compras
— Fábricas indianas sub-utilizadas: Unidades de lapidação na Índia (que processa ~90% dos diamantes mundiais) operam “abaixo das suas capacidades”.

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