Catoca: Três décadas a moldar a indústria diamantífera angolana

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A celebração dos 30 anos da Sociedade Mineira de Catoca marca não apenas a trajectória de uma das maiores minas de kimberlito do mundo, mas também o processo de consolidação de Angola como uma potência diamantífera africana e mundial.

Na Expo Catoca – 30 anos, o presidente do Conselho de Administração da Endiama, José Ganga Júnior, destacou que a criação da empresa, em 1993, representou um ponto de viragem estrutural. Até então, Angola dependia sobretudo da exploração aluvionar, com baixa escala e reduzido impacto na modernização da indústria. Com a entrada da Catoca, o país passou a dispor de um modelo industrial, de elevada capacidade tecnológica e gestão empresarial estruturada.

Catoca surgiu após 85 anos de exploração diamantífera no país, numa altura em que a independência e a guerra civil tinham fragilizado fortemente o sector. A parceria entre Angola, a Rússia e, posteriormente, a Odebrecht, permitiu instalar a primeira mina de kimberlito a céu aberto do país, abrindo caminho para a industrialização da produção.

O projecto começou com uma mina piloto de capacidade limitada a 800 mil quilates por ano, mas rapidamente evoluiu, fruto de novos estudos de viabilidade e prospecções mais profundas. Hoje, Catoca produz em média seis milhões de quilates anuais, o que representa cerca de 75% da produção nacional de diamantes e coloca Angola no quarto lugar mundial entre os maiores produtores.

José Ganga Júnior recordou ainda que Catoca serviu de base para outros projectos estratégicos, como o Luaxe, considerado “filho de Catoca”, pela forma como foi desenvolvido a partir da experiência técnica e operacional acumulada.

Ao longo de três décadas, a mina não só consolidou Angola como produtor de referência, mas também desempenhou um papel decisivo no fortalecimento das contas públicas, na criação de emprego qualificado e no financiamento de iniciativas sociais na Lunda-Sul.

Segundo dados oficiais, Angola exportou em 2024 mais de 9,6 milhões de quilates de diamantes, correspondentes a receitas superiores a 1,5 mil milhões de dólares. A Catoca responde pela maior parte deste volume, sendo um activo essencial para a diversificação das exportações e para o equilíbrio da balança comercial do país.

Com reservas estimadas até mil metros de profundidade, a mina tem horizonte operacional para além de 2035, assegurando um contributo estratégico para a economia nacional nas próximas décadas.

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