Na segunda-feira à noite, a SpaceX lançou quatro pessoas para o espaço, na primeira missão humana de sempre a orbitar as regiões polares da Terra. A equipa realizará 22 experiências, incluindo a primeira radiografia e a viabilidade do cultivo de cogumelos.
De nome Fram2, esta missão da SpaceX é financiada por fundos privados, pela mão do empresário de criptomoedas Chun Wang.
Ao seu lado, estão a fazer história Jannicke Mikkelsen, realizadora e diretora de fotografia norueguesa, Rabea Rogges, engenheira eletrotécnica, investigadora de robótica e cientista polar alemã, e Eric Philips, explorador polar e astronauta privado australiano.
Curiosamente, a missão tem o nome do Fram, um navio movido a vapor e vela utilizado pelo explorador norueguês Roald Amundsen durante a sua histórica expedição de 1910-1912 ao Polo Sul.
Lançada pelo Falcon 9 da SpaceX, às 21h46 (02h46 de Lisboa), a missão Fram2 partiu do Centro Espacial Kennedy, na Florida, e voou para sul – sobre a Florida e Cuba.
Uma vez que, normalmente, os lançamentos espaciais evitam áreas povoadas em caso de falha catastrófica, a SpaceX explicou que modificou o software de voo para que a cápsula pudesse ser afastada dos centros populacionais em caso de emergência.
Prevê-se que os astronautas permaneçam no espaço durante três a cinco dias, circulando sobre os polos Norte e Sul, antes de mergulharem no Oceano Pacífico, ao largo do Sul da Califórnia.
Durante a sua missão, a equipa realizará 22 experiências, incluindo a primeira radiografia, o cultivo de cogumelos, em nome da FOODiQ Global, e a avaliação dos níveis individuais de exposição à radiação de cada membro da tripulação.
Segundo Kevin Lewis, cientista planetário e professor associado da Universidade Johns Hopkins, “a dose de radiação ionizante será certamente mais elevada nos polos”.
No entanto, a taxa de dose é provavelmente apenas algumas vezes superior e, para um voo de curta duração, não seria provavelmente uma preocupação, exceto talvez em caso de erupções solares extremas.
A tripulação treinou durante oito meses, incluindo durante o inverno, no Alasca. Além disso, aquando do seu regresso à Terra, os membros tentarão sair da cápsula sem assistência médica, como parte de um estudo para determinar que tarefas simples os astronautas conseguem realizar após um voo espacial.
