Angola desce para 34.º no índice de industrialização africano

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Especialista aponta défice de infraestruturas e dependência de matérias-primas como entraves ao crescimento, durante Fórum da Indústria em Luanda. Angola caiu da 22.ª para a 34.ª posição no índice africano de industrialização entre 2010 e 2019, num contexto de estagnação de políticas públicas e atrasos em projectos-chave como o polo industrial de Viana, em Luanda, que ainda carece de vias pavimentadas e drenagem pluvial.

A revelação foi feita pelo investigador económico Fernandes Wanda durante o V Fórum Indústria, organizado pelo semanário Expansão, que debateu os desafios do sector sob o lema “A indústria como factor gerador de riqueza”. Wanda destacou que, apesar de a SADC ser a região mais industrializada de África — com quatro países no top 10 continental (África do Sul, Maurícias, Essuatíni e Namíbia) —, Angola perdeu relevância devido à falta de infraestruturas e à baixa produtividade laboral (5 USD/hora contra uma média regional de 20 USD/hora).

A SADC, com 390 milhões de habitantes, registou um crescimento económico de 2,5% em 2023, abaixo dos 4,6% de 2021, e viu o comércio intrabloco cair para 20% nas exportações e 16% nas importações. “A região depende de matérias-primas: 60% das trocas são recursos não processados, o que limita a diversificação”, explicou Wanda. Para Angola, o investigador apontou a concorrência com China e Portugal — que dominam 98,3% das exportações nacionais — como um desafio adicional.

O polo industrial de Viana, projectado como motor de desenvolvimento, foi citado como exemplo de planeamento falhado. “Passaram-se 12 meses desde o último fórum, e as estradas continuam sem asfalto. Como atrair investidores se uma chuva intensa paralisa tudo?”, questionou Wanda. O especialista defendeu a criação de zonas económicas especiais com energia estável, logística eficiente e acesso a crédito, para fomentar indústrias ligeiras.

Para reverter o cenário, Wanda propôs investimento em equipamentos para industrialização de pequena escala, capaz de absorver mão-de-obra jovem (30% de desemprego). “Sem produção, não há crescimento. O Estado não precisa de ser um ‘super-herói’, mas de criar condições para o sector privado florescer”, concluiu.

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