O conflito que opõe Estados Unidos e Israel contra o Irão, no Médio Oriente, pode fazer subir o preço do barril de petróleo dos actuais 72 dólares para acima dos 100 dólares, alertam especialistas e os líderes regionais.
Após os ataques iniciais, seguidos de uma declaração do Presidente Donald Trump, os mercados devem reagir, a partir de hoje, com maior valorização da commodity.
Segundo noticiou a Reuters, ontem, vários líderes regionais alertaram ao Presidente Trump sobre ameaça de petróleo acima de 100 dólares.
No centro das preocupações, estão novos ataques dos EUA e de Israel ao Irão, que intensificaram as tensões em todo o Oriente Médio. O cenário eleva os riscos para os mercados globais de energia, à medida que os fluxos de petroleiros pelo crítico Estreito de Ormuz mostram sinais de interrupção.
“Os preços do petróleo, provavelmente, vão subir materialmente se este conflito se estender além de alguns dias e se o IRGC adoptar uma estratégia de sobrevivência baseada na exploração dos pontos de vulnerabilidade económica do presidente Trump”, disse a estratega da RBC, Helima Croft.
A última fase de ataques parece ter tido um impacto regional mais amplo do que as operações de Junho e, segundo relatos, infligiu perdas mais pesadas à liderança do Irão, incluindo o líder supremo Ali Khamenei.
O impacto final nos preços do petróleo agora depende do próximo movimento de Teerão, com incerteza crescente sobre se o Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica (IRGC) irá recuar ou escalar.
O Irão já atacou bases americanas em toda a região e atingiu aeroportos, portos e edifícios emblemáticos de alto perfil em todo o Golfo, ressaltando o risco de retaliação adicional.
Os mercados de petróleo estão, particularmente, focados no Estreito de Ormuz, um ponto de estrangulamento que transporta, aproximadamente, 20 por cento do fornecimento global de petróleo. O tráfego de petroleiros pela hidrovia já foi significativamente reduzido, aumentando as preocupações sobre interrupções no fornecimento.
Helima Croft alertou que, mesmo sem um fechamento formal, o IRGC mantém ferramentas para interromper efectivamente os fluxos.
“Embora o IRGC possa não ser capaz de fechar fisicamente o Estreito de Ormuz, eles ainda poderiam potencialmente implantar pequenos barcos, minas, drones e mísseis para obrigar seguradoras e empresas de navegação a evitarem a hidrovia até à cessação das hostilidades”, disse.
A especialista acrescentou que líderes regionais alertaram o governo Trump sobre os riscos de contágio.
“Entendemos que líderes regionais alertaram Washington sobre os riscos de contágio de outro confronto com o Irão e indicaram que petróleo acima de US$ 100/barril era um perigo claro e presente”, disse ela, observando que alguns militares questionam se o poder aéreo sozinho pode alcançar objectivos de mudança de regime.
O estrategista do HSBC David May destacou outra restrição, tendo afirmado que, embora “a capacidade ociosa no Golfo do Oriente Médio seja significativa”, ela “não seria acessível se Ormuz estiver fechado”.
O cenário também limita a capacidade da OPEC de amortecer os mercados.
A maioria dos produtores da Opep+ já está perto da produção máxima, deixando a Arábia Saudita como a principal detentora de capacidade ociosa significativa. Mesmo assim, analistas alertam que barris adicionais ofereceriam alívio limitado se as principais rotas de navegação se tornarem inoperantes.
O analista de petróleo do UBS Josh Silverstein disse, citado pela Reuters, que preços mais altos do petróleo bruto poderiam, eventualmente, estimular o fornecimento adicional fora da OPEC, embora tenha alertado que tais volumes levariam tempo para se materializar.





