A economia angolana registou uma aceleração significativa no quarto trimestre de 2025, com o Produto Interno Bruto (PIB) a crescer 5,70 por cento em termos homólogos, o melhor desempenho trimestral do ano, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) a que o Jornal de Angola teve acesso.
O resultado surge após um primeiro semestre marcado por crescimento moderado, com variações inferiores a 3,0 por cento, seguido de uma recuperação gradual no terceiro trimestre e uma aceleração mais robusta no final do ano. Em termos trimestrais, e ajustado de efeitos sazonais, o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 1,86 por cento face ao trimestre anterior, confirmando o reforço da actividade económica.
Os dados indicam uma recuperação mais sustentada, assente em factores estruturais internos, e não apenas em variações conjunturais externas.
Sector não petrolífero consolida-se como principal motor da economia
A composição do crescimento evidencia uma mudança estrutural relevante na economia angolana. Enquanto o sector Petrolífero registou uma contracção de 1,21 por cento, o sector não petrolífero expandiu 7,34 por cento, assumindo-se como o principal impulsionador da actividade económica.
Esta divergência reflecte os efeitos das políticas de diversificação económica, orientadas para o reforço da produção nacional, industrialização e expansão dos serviços.
O que prova que Angola está a reduzir progressivamente a sua dependência do petróleo, consolidando uma nova base de crescimento económico.
Serviços e economia digital lideram
A análise sectorial revela que o crescimento foi impulsionado sobretudo por sectores ligados aos serviços e à economia digital.
As Actividades de Informação e Comunicação registaram um crescimento expressivo de 65,67 por cento, enquanto os Serviços de Alojamento e Restauração cresceram 18,00 por cento e a Indústria Transformadora 16,46 por cento. Outros serviços também contribuíram de forma relevante, com um aumento de 12,46 por cento.
Este desempenho reflecte o impacto crescente da digitalização, da expansão das telecomunicações e da modernização tecnológica no tecido económico nacional.
O que prova que os sectores baseados em conhecimento, inovação e tecnologia começam a assumir um papel central na geração de valor e na criação de novas oportunidades económicas.
Diversificação reforça resiliência económica
Para além do crescimento global, os dados apontam para uma maior diversificação das fontes de rendimento, com contributos significativos de múltiplos sectores, incluindo Comércio, Indústria e serviços.
Esta evolução reduz a vulnerabilidade da economia angolana às flutuações dos preços internacionais do petróleo, historicamente determinantes para o desempenho económico do país.
O que prova que Angola está a construir uma economia mais resiliente, capaz de sustentar o crescimento mesmo em contextos externos adversos.
Economia atinge 34,47 biliões de kwanzas no quarto trimestre.
Em termos nominais, o PIB atingiu 34,47 biliões de kwanzas no quarto trimestre de 2025, com destaque para os sectores do Comércio, Agro-pecuária, Administração Pública e extracção de petróleo.
A composição da economia reflecte uma fase de transição, em que sectores tradicionais continuam a desempenhar um papel relevante, ao mesmo tempo que emergem novos motores de crescimento ligados aos serviços e à indústria.
Perspectivas dependem de reformas estruturais e investimento
O desempenho do último trimestre reforça as perspectivas de crescimento económico para Angola, sustentadas pelo dinamismo do sector não petrolífero.
No entanto, a consolidação desta trajectória dependerá da continuidade das reformas estruturais, do aumento do investimento produtivo e do fortalecimento das cadeias de valor nacionais.
Nesta senda, o futuro do crescimento económico angolano estará cada vez mais ligado à capacidade de desenvolver a produção interna, acelerar a industrialização e expandir a economia digital.
A evolução recente da economia angolana sugere uma mudança gradual de paradigma, com maior equilíbrio entre sectores e redução da dependência de recursos naturais.
Os sinais de crescimento já começam a reflectir-se na dinamização da actividade económica, na expansão de oportunidades em sectores não petrolíferos e na melhoria progressiva das condições de vida da população, ainda que de forma gradual.
O que prova que Angola está a consolidar um ciclo de crescimento com impacto crescente na economia real, com potencial para se traduzir em benefícios mais amplos e sustentáveis para os cidadãos.
PIB cresce 3,13% em termos anuais
No conjunto do ano de 2025, o PIB registou um crescimento de 3,13 por cento, reflectindo uma trajectória de recuperação progressiva ao longo do ano, apesar de um início mais lento.
Este desempenho enquadra-se no processo de estabilização macroeconómica, marcado por maior disciplina fiscal, controlo da inflação e reforço da confiança dos agentes económicos.
O que prova que o país está a consolidar as bases para um crescimento mais sustentável e previsível.





