Queda de 10,7% face aos 840 milhões registados em 2024 reflecte descida do preço do barril de 80 para 69 dólares. Volume de negócios mantém-se em 9,1 mil milhões e margem EBITDA situa-se nos 25%.
A Sonangol encerrou o exercício de 2025 com um resultado líquido estimado acima de 750 milhões de dólares, valor que representa uma quebra de cerca de 10,7% relativamente aos 840 milhões de dólares obtidos em 2024. O anúncio foi feito pelo presidente do Conselho de Administração (PCA), engenheiro Gaspar Martins, na conferência de imprensa de balanço anual realizada em Luanda, assinalando simultaneamente o 50.º aniversário da empresa pública.
Os resultados são preliminares e encontram-se ainda em fase de discussão com os auditores externos. Ainda assim, a administração optou por divulgar, pela primeira vez, uma estimativa do resultado líquido — rompendo com a prática anterior de apresentar apenas o EBIT como indicador de fecho. “Queremos pelo menos fazer uma referência aos resultados líquidos”, afirmou Gaspar Martins, citando o progresso no envolvimento com os auditores como razão para a mudança metodológica.
A principal explicação para a descida do resultado líquido face a 2024 reside na evolução do preço do petróleo. O barril cotou, em média, 69 dólares ao longo de 2025, contra 80 dólares em 2024 — uma redução de 13,8% que se reflectiu directamente nas margens da empresa, cuja actividade central continua dependente das receitas petrolíferas.
O volume de negócios cifrou-se em 9,1 mil milhões de dólares, com o EBITDA estimado acima de 2,5 mil milhões de dólares e margem de 25%. O investimento (CAPEX) totalizou 3,4 mil milhões de dólares, aplicados maioritariamente em exploração e produção e na cadeia de refinação e distribuição. A Sonangol comercializou 5,3 milhões de toneladas métricas de petróleo bruto, produtos derivados e gás liquefeito de petróleo (LPG), exportando 59 milhões de barris de petróleo bruto, dos quais 69% tiveram como destino a China e o restante maioritariamente a Índia.
Em termos operacionais, os direitos líquidos de produção mantiveram-se acima de 200.000 barris de óleo equivalente por dia, incluindo petróleo bruto e gás natural. A produção operada pela Sonangol situou-se nos 22.000 barris por dia, representando 2,15% da produção total de Angola — percentagem que a administração reconhece como insuficiente mas enquadra num contexto mais vasto: a empresa detém cerca de 20% dos direitos ao petróleo em Angola e é o maior investidor individual no sector de exploração e produção no país, com presença em 41 concessões e operação directa de 11 blocos.





