Empresa posiciona-se como participante na cadeia de valor da transição energética, não como operadora mineira directa. Projecto de hidrogénio verde com empresas alemãs tem capacidade estudada de 12 toneladas métricas por dia. Centro de Pesquisa e Desenvolvimento previsto para final de 2025 ou início de 2026.
A Sonangol revelou pela primeira vez a dimensão da sua presença nos minerais críticos: sete concessões activas, tituladas em nome da empresa, distribuídas pelas províncias do Cuanza Norte e Cuanza Sul. O portefólio é composto por três concessões de quartzo, uma de lítio e três de urânio, todos minerais com papel central na cadeia de valor das energias renováveis e da transição energética global.
O anúncio foi feito pelo PCA Gaspar Martins na conferência de imprensa de balanço anual, em resposta a uma questão colocada por um jornalista que assinalou ser a primeira vez que o número de concessões era divulgado publicamente. A administração reconheceu estar numa “fase incipiente e inicial de pesquisa”, sem avançar estimativas de rentabilização ou calendários de exploração. “É prematuro fazermos já referência a quanto e em que condições”, afirmou Gaspar Martins, comprometendo-se a partilhar progressos com a sociedade à medida que o processo avançar.
As concessões foram atribuídas à Sonangol pelo Ministério dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás, no âmbito de uma orientação estratégica para envolver a petrolífera na diversificação da economia nacional. O modelo de negócio que a empresa está a construir não prevê que a Sonangol assuma o papel de operadora mineira directa. A intenção declarada é a de trabalhar com parceiros especializados na extracção e posicionar-se na fase de processamento e geração de valor acrescentado. “Não é que seja necessariamente a Sonangol a arrancar o minério do terreno. Vamos trabalhar com quem saiba fazer a exploração de minerais e nós estarmos presentes de modo a que adicionamos valor”, explicou Gaspar Martins.
A estratégia insere-se num movimento mais amplo de diversificação que inclui o projecto de hidrogénio verde, desenvolvido em parceria com empresas alemãs. A capacidade estudada está fixada em 12 toneladas métricas por dia — volume que a administração descreve como com “interesse crescente” face às necessidades de diversificação energética à escala global. Não foram divulgados detalhes sobre o calendário ou o investimento previsto para esta iniciativa.
O suporte científico e tecnológico ao conjunto destas apostas — minerais críticos e energias renováveis — ficará a cargo do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da Sonangol, projecto previsto para entrar em funcionamento até ao final de 2025 ou no início de 2026, de acordo com o PCA. O centro terá uma componente dedicada especificamente à investigação de minerais críticos.
A Sonangol enquadra a aposta nos minerais críticos como complementar, e não substituta, do seu negócio central. “O petróleo vai continuar a ser a nossa base de funcionamento, gerando receitas suficientes para que as energias renováveis entrem na nossa matriz energética de forma segura”, afirmou Gaspar Martins, sublinhando que os dois trajectos — hidrocarbonetos e transição energética — são, na visão da empresa, interdependentes e não alternativos.





