Empresa descreve investimentos em Portugal como instrumentos de diversificação de portfólio e de resiliência a ciclos económicos. Administração não divulga valores actualizados das participações nem dividendos recebidos.
A Sonangol não vai alienar as suas participações no Banco Comercial Português (BCP) e na GALP. A confirmação foi prestada pelo PCA da empresa, Gaspar Martins, em resposta directa a uma questão colocada durante a conferência de imprensa de balanço anual, que encerrou com a intervenção do administrador responsável pelo dossier de investimentos externos a detalhar o racional estratégico por detrás da decisão.
“O estado mantém a intenção de permanecer”, afirmou Gaspar Martins, passando de imediato a palavra ao administrador responsável pelo pelouro, que apresentou a fundamentação da posição. Segundo este responsável, os dois activos — descritos como “muito importantes” — integram uma estratégia deliberada de diversificação do portfólio do grupo, desenhada para dotar a Sonangol de resiliência face aos choques e ciclos que caracterizam a actividade petrolífera. “Dão-nos capilaridade e, portanto, o nosso objectivo empresarial é o de os manter”, afirmou o administrador.
A Sonangol não divulgou, na conferência, os valores actualizados das suas participações no BCP e na GALP, nem os dividendos ou mais-valias recebidos nos últimos exercícios. A dimensão exacta das posições accionistas em cada uma das empresas também não foi referida. O administrador limitou-se a enquadrar os investimentos numa lógica de portfólio internacional que serve de contrapeso aos riscos inerentes ao ciclo petrolífero, sem detalhar métricas de retorno ou critérios de avaliação de desempenho desses activos.
A participação da Sonangol no BCP é de conhecimento público e tem sido objecto de escrutínio público em Portugal, dada a natureza estatal da petrolífera angolana. A presença na GALP, empresa energética portuguesa com operações em Angola, insere-se numa lógica de parceria que vai além do retorno financeiro directo, dado o envolvimento da GALP no sector de exploração e produção angolano.
A manutenção destes investimentos contrasta com o processo de desinvestimento em activos fora do negócio central que a Sonangol tem conduzido desde 2018, no âmbito do PRIV. A administração deixou clara a distinção: os activos alienados no PRIV eram participações não relacionadas com a cadeia de valor da energia; o BCP e a GALP são tratados como instrumentos de estratégia financeira e de presença internacional, não como activos periféricos a liquidar.
A questão dos investimentos em Portugal não constava da apresentação formal da conferência, tendo sido introduzida por iniciativa de um jornalista, o que motivou a resposta do PCA. A ausência de dados financeiros actualizados sobre estas posições — nomeadamente valorização de mercado, retorno sobre o capital investido e dividendos acumulados — constitui uma lacuna de transparência que a empresa não endereçou na ocasião.





