Refinaria de Cabinda em testes finais: primeiros combustíveis para o mercado iminentes

Data:

Unidade de 30.000 barris por dia concluiu comissionamento mecânico e está em testes de performance a quente. Sonangol recusa confirmar data exacta mas garante início de operação comercial “brevemente”. Primeiro produto a chegar ao mercado será gasóleo. Angola tem actualmente 31% de autonomia em produtos refinados.

A refinaria de Cabinda encontra-se na fase final de testes de performance antes do arranque da operação comercial. A confirmação foi dada pelo PCA da Sonangol, engenheiro Gaspar Martins, que assegurou que os equipamentos estão a ser testados “a quente” e que os primeiros produtos chegarão ao mercado “brevemente”, sem que a empresa tenha fixado data exacta publicamente.

O mês de Março havia sido apontado por fontes do sector como data provável para o arranque comercial. A administração da Sonangol recusou confirmar esse prazo. “Não estamos aqui preocupados em datas. Estamos preocupados em ter a refinaria de Cabinda a entregar produtos”, afirmou Gaspar Martins, acrescentando que qualquer jornalista seria convidado a visitar a instalação no momento do arranque efectivo. O administrador Larmino confirmou que a “inauguração culminou com a conclusão mecânica” e que se seguiu uma bateria de testes obrigatórios para uma instalação desta natureza.

A primeira fase da refinaria tem capacidade de 30.000 barris de petróleo por dia. O primeiro produto a ser disponibilizado será gasóleo — não gasolina, como chegou a ser antecipado — destinado inicialmente ao mercado de Cabinda, com extensão posterior ao restante mercado nacional e eventualmente ao mercado regional. Uma segunda fase, com capacidade adicional de outros 30.000 barris por dia, já se encontra em fase de estudos, tendo o investidor da primeira fase manifestado interesse em avançar em simultâneo.

O arranque da refinaria de Cabinda insere-se numa estratégia mais ampla de redução da dependência angolana de importações de produtos refinados. Actualmente, Angola assegura apenas 31% das suas necessidades internas de combustíveis através de produção própria, importando o restante. A refinaria de Luanda — a mais antiga do país, com mais de 60 anos —  tem capacidade instalada de 60.000 barris por dia mas operou em 2025 a 49.500 barris, produzindo 2,28 milhões de toneladas métricas de produtos refinados. Uma unidade de platforming instalada recentemente permitiu redirecionar nafta que era exportada para a produção adicional de gasolina, gerando uma média de 243.000 toneladas métricas por ano.

Para além de Cabinda, a Sonangol tem dois projectos de refinação adicionais em curso. A refinaria do Lobito está em construção, com arranque da primeira fase previsto para 2027 produzindo gasóleo e outros produtos, mas ainda sem gasolina. A refinaria do Soio está em fase de negociação com investidores para uma solução modular, com o objectivo de ter pelo menos um módulo operacional igualmente em 2027. O conjunto destas instalações deverá permitir à Sonangol aproximar-se da autossuficiência em produtos refinados no horizonte de médio prazo.

spot_img

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

spot_img

Partilhe com amigos:

Notícias no E-Mail

spot_imgspot_img

Popular

Artigos relacionados
Artigos relacionados

Banco BAI atinge 2,8 milhões de clientes em 2025 e ultrapassa mil pontos de atendimento 

Durante 2025, o Banco Angolano de Investimentos (BAI) aumentou...

Porto do Lobito dá início ao processo de dragagem

O processo de dragagem de profundidade da Baía do...

Preço do petróleo pode ultrapassar os 100 dólares

O conflito que opõe Estados Unidos e Israel contra...