Decreto presidencial publicado na véspera da conferência retira Sonangol do programa de privatizações por expiração de prazo. Administração lista avanços concretos: IFRS implementadas, contas auditadas semestralmente e área de relações com investidores operacional. Subsídios aos combustíveis identificados como principal obstáculo externo à listagem.
Um decreto presidencial publicado no dia anterior à conferência de imprensa da Sonangol, realizada nesta semana, excluiu formalmente a empresa do Programa de Privatizações (PRIV), encerrando o prazo que havia sido fixado para a abertura do capital da petrolífera estatal. A medida, porém, não interrompe o processo de preparação para a eventual listagem em bolsa — posição confirmada pela própria administração da empresa durante a conferência.
“Este decreto não significa que a Sonangol parou de se preparar para a listagem em bolsa”, esclareceu o administrador responsável pelo dossier. “Estamos a continuar com todo este processo.” A exclusão do PRIV decorre exclusivamente da expiração dos prazos do programa, não de uma decisão estratégica de abandonar o IPO.
A administração apresentou um conjunto de avanços concretos no processo de preparação. As Normas Internacionais de Relato Financeiro (IFRS) foram implementadas em toda a cadeia de valor do grupo, trabalho realizado em parceria com a KPMG e cobrindo os últimos três anos. As contas da empresa são publicadas duas vezes por ano e auditadas por auditor externo independente — prática que, segundo a administração, se mantém há mais de uma década. Foram igualmente constituídos cinco comités estatutários — risco, auditoria, governança, remunerações e sustentabilidade — com participação de membros externos à organização.
No plano societário, todas as subsidiárias da cadeia de valor — exploração e produção, refinação, logística e distribuição, e energias renováveis — foram reorganizadas como sociedades anónimas independentes. A Sonangol dispõe actualmente de uma área de relações com investidores institucionais activa no seu sítio oficial, com acesso a relatórios e contas. Em 2025, a empresa realizou um private placement de 750 milhões de dólares, descrito pela administração como o maior da sua natureza na África subsariana, numa antecipação do processo de emissão de eurobonds.
No que respeita ao programa de privatizações em curso, a Sonangol alienou 31 activos fora do seu negócio central, gerando receitas contratualizadas de 208 milhões de dólares, dos quais 143 milhões já foram recebidos. Cerca de 77% das alienações ocorreram entre 2018 e 2022, com os restantes distribuídos até 2026.
O principal obstáculo à listagem identificado pela administração é de natureza exógena: o actual regime de subsídios aos combustíveis. A questão consta como reserva nos relatórios auditados da empresa e torna complexa a avaliação de mercado da Sonangol, uma vez que distorce as margens da actividade de distribuição. “Para os economistas percebem qual é o impacto se listar uma empresa nesta condição com o tema dos subsídios”, afirmou o responsável, sem fixar calendário para a resolução da questão.





