SanlamAllianz reúne 600 consultores em convenção e projecta crescimento da rede comercial

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Seguradora realizou primeira convenção para 600 consultores e anuncia expansão a Benguela e Huíla, mas omite dados sobre produção, volume de prémios e taxa de retenção dos profissionais formados

A SanlamAllianz realizou na sexta-feira, na Universidade Gregório Semedo, a primeira Convenção do Talent Hub, programa de formação e integração de consultores comerciais que a seguradora posiciona como “aposta nos jovens angolanos” mas cujos resultados operacionais concretos não foram divulgados publicamente.

O evento reuniu 600 consultores comerciais — agentes independentes formados pela companhia para promover e comercializar produtos de seguro — numa sessão que incluiu “intervenções institucionais, apresentação de resultados operacionais e distinção dos consultores com melhor desempenho”, segundo nota de imprensa da empresa, que não especificou critérios de avaliação nem valores dos prémios atribuídos.

Vera Sobral, CEO interina da SanlamAllianz, afirmou que “a convenção constitui um momento de reconhecimento do esforço diário dos profissionais que actuam no terreno, promovendo não apenas produtos de seguro, mas também protecção, confiança e tranquilidade para famílias e empresas”, acrescentando que “os resultados apresentados reflectem histórias reais de protecção e impacto social, para além dos indicadores financeiros”.

Crescimento anunciado sem números concretos

A seguradora indicou que “durante o evento foram partilhados dados que evidenciam a evolução do projecto Talent Hub, com destaque para o crescimento da produção nos ramos automóvel e vida, o aumento do número de apólices emitidas e do volume global de prémios, bem como o reforço da dinâmica comercial e a expansão da carteira de clientes” — mas não divulgou valores absolutos, percentagens de crescimento ou comparações com períodos anteriores.

A ausência de dados quantificados impede avaliação independente sobre eficácia do modelo de distribuição comercial baseado em consultores externos, que constitui canal privilegiado de seguradoras angolanas para penetração em mercados de retalho e segmentos de baixa e média renda sem investimento em agências físicas.

No sector segurador, indicadores-chave incluem volume de prémios por consultor, taxa de retenção de consultores formados (quantos permanecem activos após primeiro ano), percentagem de renovação de apólices e custo de aquisição por cliente — métricas que a SanlamAllianz optou por não tornar públicas.

Expansão provincial e formação de quadros séniores

Para o próximo ciclo, a companhia definiu como objectivos “a expansão do número de consultores activos, a realização de novas turmas de formação, o alargamento da presença a novas províncias (Ícolo e Bengo, Benguela e Huíla), o desenvolvimento de quadros séniores e o crescimento sustentado da produção e do volume de contratos”, sem estabelecer metas numéricas nem calendário de execução.

A expansão geográfica para Benguela e Huíla visa aumentar cobertura territorial numa indústria concentrada em Luanda, onde seguradoras competem por carteiras urbanas de classe média enquanto mercado provincial permanece largamente subpenetrado devido a baixos rendimentos, informalidade económica e falta de cultura de seguro.

O modelo de consultores independentes — profissionais que trabalham por comissão sem vínculo laboral directo — é amplamente utilizado por seguradoras em África para reduzir custos fixos de estrutura comercial, mas enfrenta críticas sobre qualidade de formação, pressão sobre vendas em detrimento de adequação de produtos e alta rotatividade de profissionais que abandonam actividade após período inicial.

Reconhecimento baseado em “desempenho, disciplina e dedicação”

A convenção terminou com “entrega de distinções aos consultores que se destacaram pelo desempenho, disciplina e dedicação, reforçando uma cultura interna assente no mérito, no profissionalismo e na ambição”, segundo a seguradora, que não identificou os distinguidos nem especificou prémios atribuídos.

A SanlamAllianz afirma que o Talent Hub se consolida como “pilar estratégico para o desenvolvimento do capital humano, a expansão comercial e o crescimento sustentável da companhia em Angola”, numa estratégia que visa formar força de vendas qualificada num mercado onde escassez de profissionais especializados em produtos financeiros constitui barreira recorrente à expansão.

A empresa não revelou quantos consultores foram formados desde o lançamento do programa, taxa de conversão de formandos em consultores activos nem volume de negócios gerado pela rede comercial do Talent Hub comparativamente a outros canais de distribuição.

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