ANPG prevê captação de 70 mil milhões USD até 2030 para compensar declínio natural da produção e manter extração acima de um milhão de barris por dia
O setor petrolífero angolano registou investimentos anuais superiores a 14 mil milhões de dólares nos últimos três anos, quase o dobro dos oito mil milhões de dólares anuais registados em 2019, avançou esta semana o presidente da Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANPG), Jerónimo Paulino.
As projeções da concessionária angolana apontam para a captação de 70 mil milhões de dólares nos próximos cinco anos, num esforço para manter a produção nacional acima de um milhão de barris por dia até 2030, revelou o responsável durante a apresentação do balanço de atividades da ANPG (2019-2025) e das prioridades para o ciclo 2026-2030.
“É um desafio grande (…), mas é um desafio que nós também achamos aceitável e nobre em nome desse país”, afirmou Jerónimo Paulino, reconhecendo as dificuldades impostas pelo declínio natural da produção, estimado entre 15% a 16% ao ano.
O presidente da ANPG sublinhou que o contexto atual difere substancialmente do período entre 2001 e 2004, quando Angola chegou a produzir três milhões de barris por dia. “Hoje não tem sido fácil, porque as nossas descobertas são mais pequenas, produzem cerca de 50 a 70 mil barris de óleo por dia”, explicou.
Extensão de contratos e novas concessões
No que respeita às reservas petrolíferas, Jerónimo Paulino garantiu que o país “não está mal”, apontando como prova a extensão da vigência dos contratos de várias concessões para mais de 30 anos. O Bloco 15 teve o contrato prolongado até 2038, enquanto o Bloco 17 foi estendido até 2045.
“Temos reservas suficientes para produzir até lá”, assegurou, acrescentando que, com as novas descobertas e concessões, a perspectiva é que a produção se estenda para além de 2050.
O administrador executivo da ANPG, Alcides Andrade, destacou que a estratégia de captação de investimento tem um “foco muito grande” nos campos maduros, para produção a curto prazo e sustentabilidade.
“Nos últimos anos, ajustamos os termos contratuais e fiscais para atrair mais investimento e trazer mais produção em cerca de 12 concessões existentes. A médio e longo prazo, apostamos na execução da estratégia de atribuição de concessões, aprovada pelo Governo em 2019, por via da licitação de mais de 50 blocos”, explicou.
Sete anos depois, foram já adjudicados cerca de 65 novos blocos para vários investidores, estando em negociação outros blocos. A ANPG prevê que até ao final do primeiro semestre de 2026 estejam mais de 70 blocos adjudicados.
Pesquisas em bacias interiores
A administradora executiva da ANPG, Ana Miala, adiantou que, além das concessões offshore, estão a decorrer estudos nas bacias interiores para a identificação de novas áreas para licitação.
As pesquisas concentram-se no norte e centro do país, nas províncias do Cuando Cubango, Bié, Cunene e Malanje, procurando petróleo nas bacias de Etosha/Okavango e Cassanje.
“Depois de 2030, precisamos de reinventar e procurar outras fontes para manter os níveis de produção”, vincou a administradora, acrescentando que os recursos que estão a ser explorados ultrapassam mil milhões de barris de petróleo.
Segundo Jerónimo Paulino, o salto nos investimentos — de cinco a seis mil milhões de dólares anuais para os atuais 14 a 15 mil milhões — resultou de melhorias nos termos contratuais e fiscais identificadas num estudo de competitividade realizado em 2022, que comparou Angola com outros países produtores da região e do mundo.





