Analistas prevêem colapso total da Bitcoin para zero dólares após queda de 50% em quatro meses

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A Bitcoin atingiu mínimo histórico próximo de USD 60.000 em 6 de Fevereiro, representando queda de aproximadamente 50% face ao máximo histórico registado há quatro meses, segundo dados da CNBC. A criptomoeda recuperou posteriormente para cerca de USD 68.000, eliminando a totalidade dos ganhos acumulados desde a eleição presidencial de Donald Trump em finais de 2025.

Richard Farr, estratega-chefe de mercado e sócio da Pivotus Partners, prevê colapso completo do activo digital. “O nosso preço-alvo para BTC é 0,0”, escreveu Farr na rede social X. “Não é apenas para causar choque. É para onde a matemática nos leva.”

Farr manifestou concordância com Michael Burry, investidor que lucrou com a aposta contra o mercado imobiliário americano antes do colapso de 2008, e que alertou recentemente para risco de “espiral da morte” caso a Bitcoin continue a desvalorizar. Burry publicou a análise em post na plataforma Substack em 2 de Fevereiro.

O estratega da Pivotus Partners argumentou que a Bitcoin segue tendências correlacionadas com a queda mais ampla do mercado accionista americano, sugerindo que o activo já não funciona como refúgio seguro conforme anteriormente reivindicado pelos seus defensores. “Opera como instrumento especulativo correlacionado ao Nasdaq”, afirmou Farr, acrescentando que “nenhum banco central sério jamais deterá algo onde Michael Saylor controla a oferta disponível”, referindo-se ao presidente executivo da Strategy, a maior tesouraria corporativa de Bitcoin.

Farr também criticou o impacto ambiental da mineração de Bitcoin, que requer quantidades elevadas de energia eléctrica e água. “Nada de ‘verde’ nesta ‘moeda'”, escreveu ironicamente. “Pensamos que vale zero.”

Em publicação subsequente no LinkedIn, Farr argumentou que deterioração dos números de emprego nos Estados Unidos poderá causar saída de dinheiro de activos especulativos superior às entradas, o que o deixou “crescentemente encorajado” relativamente à sua previsão de zero dólares. O analista apontou igualmente para mineradores de criptomoedas forçados a encerrar operações em meio ao colapso de preços, já pressionados por tempestades de Inverno que elevaram custos de electricidade.

“Pensamos que estamos apenas nos primeiros innings da correcção cripto”, escreveu Farr.

No post da Substack, Burry observou que queda recente nos preços do ouro — após pico histórico — parece estar ligada ao declínio contínuo da Bitcoin. À medida que pessoas continuam a especular em futuros de ouro, Burry argumentou que “metais físicos podem separar-se da tendência devido à procura de refúgio seguro”, desencadeando colapso semelhante a “espiral da morte”.

Marion Laboure, analista do Deutsche Bank, escreveu em nota a clientes que “esta venda constante, na nossa opinião, sinaliza que investidores tradicionais estão a perder interesse, e o pessimismo geral sobre cripto está a crescer”, segundo citação da CNBC.

Maja Vujinovic, presidente executiva de activos digitais da FG Nexus, acrescentou que “Bitcoin já não negocia com base em hype, a narrativa perdeu um pouco do enredo, está a negociar em pura liquidez e fluxos de capital”.

Considerando as enormes oscilações da Bitcoin nos últimos meses, é provável que não seja o fim do percurso para o activo digital notoriamente volátil, embora múltiplos analistas prevejam perdas adicionais.

Histórico de volatilidade da Bitcoin

A Bitcoin atingiu máximo histórico próximo de USD 120.000 em Outubro de 2025, alimentada parcialmente por expectativas de regulação favorável sob administração Trump. A moeda digital registou ganhos expressivos após declarações de Trump favoráveis às criptomoedas durante campanha eleitoral.

Desde lançamento em 2009, a Bitcoin já passou por múltiplos ciclos de ascensão e queda acentuados. Em 2017, subiu de aproximadamente USD 1.000 para quase USD 20.000 antes de cair para cerca de USD 3.000 em 2018. Recuperou posteriormente para novo máximo próximo de USD 69.000 em Novembro de 2021, antes de nova queda.

Mineração e custos energéticos

Mineração de Bitcoin baseia-se em processo computacional intensivo chamado proof-of-work, onde computadores competem para resolver problemas matemáticos complexos que validam transacções. O processo consome electricidade em escala comparável a países de médio porte. Estimativas de 2024 indicavam consumo anual equivalente ao da Argentina.

Tempestades de Inverno que afectaram Estados Unidos em Janeiro e Fevereiro de 2026 elevaram custos de electricidade, comprimindo margens de mineradores já pressionados pela queda de preços da Bitcoin.

Regulação e adopção institucional

Autoridades reguladoras nos Estados Unidos e Europa mantêm posições divergentes sobre criptomoedas. Alguns países implementaram proibições ou restrições severas, enquanto outros procuram estabelecer enquadramentos regulatórios que permitam operação controlada.

Fundos negociados em bolsa (ETF) de Bitcoin foram aprovados nos Estados Unidos em 2024, facilitando acesso de investidores institucionais, embora alguns analistas questionem sustentabilidade da procura a médio prazo.


Informação baseada em reportagem da Futurism publicada em 6 de Fevereiro de 2026, com declarações de Richard Farr (Pivotus Partners), citações do Substack de Michael Burry (2 de Fevereiro de 2026), análise de Marion Laboure (Deutsche Bank) e Maja Vujinovic (FG Nexus) divulgadas pela CNBC.

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