Homem mais rico do mundo alega fraude por abandono de missão sem fins lucrativos da empresa de inteligência artificial que cofundou em 2015 com investimento de 38 milhões de dólares.
Elon Musk pretende indemnização entre 79 mil milhões e 134 mil milhões de dólares da OpenAI e Microsoft, alegando que empresa de inteligência artificial o defraudou ao abandonar missão sem fins lucrativos, revelou o site TechCrunch a 17 de Janeiro citando reportagem inicial da Bloomberg.
O valor foi determinado por C. Paul Wazzan, economista financeiro e perito testemunha cuja biografia indica ter sido inquirido quase 100 vezes e testemunhado em tribunal mais de uma dúzia de vezes em casos de litígio comercial complexo. Wazzan, especializado em avaliação e cálculos de danos em disputas de alto risco, determinou que Musk tem direito a porção significativa da avaliação actual de 500 mil milhões de dólares da OpenAI com base na sua doação inicial de 38 milhões de dólares quando cofundou startup em 2015, segundo o TechCrunch.
Isso significaria retorno de 3.500 vezes sobre investimento de Musk, acrescenta a publicação tecnológica.
A análise de Wazzan combina contribuições financeiras iniciais de Musk com conhecimento técnico e contribuições empresariais que ofereceu à equipa inicial da OpenAI, calculando ganhos indevidos de 65,5 mil milhões a 109,4 mil milhões de dólares para OpenAI e 13,3 mil milhões a 25,1 mil milhões de dólares para Microsoft, que detém actualmente participação de 27% na empresa, reportou o TechCrunch.
Equipa jurídica de Musk argumenta que deve ser compensado como investidor inicial de startup que vê retornos “muitas ordens de magnitude superiores” ao seu investimento inicial. Contudo, escala absoluta da procura de indemnização sublinha que batalha legal não é realmente sobre dinheiro, afirma a publicação.
Fortuna pessoal de Musk ronda actualmente 700 mil milhões de dólares, tornando-o de longe a pessoa mais rica do mundo. Como a agência Reuters notou recentemente citada pelo TechCrunch, riqueza de Musk excede agora a de Larry Page, cofundador da Google e segunda pessoa mais rica do mundo, em impressionantes 500 mil milhões de dólares, segundo lista de multimilionários da Forbes. Em Novembro, accionistas da Tesla aprovaram separadamente pacote salarial de 1 trilião de dólares para Musk, o maior pacote de remuneração corporativa da história.
Neste contexto, mesmo pagamento de 134 mil milhões de dólares da OpenAI representaria adição relativamente modesta à riqueza de Musk, reforçando provavelmente para aqueles na OpenAI a sua caracterização do processo como parte de “padrão contínuo de assédio” em vez de queixa financeira legítima, afirma o TechCrunch.
A OpenAI terá enviado carta na quinta-feira a investidores e outros parceiros comerciais, alertando que Musk fará “alegações deliberadamente extravagantes e que chamam atenção” à medida que processo contra empresa segue para julgamento em Abril, reportou a CNBC citada pelo site de tecnologia. Caso será ouvido em Oakland, Califórnia, cerca de 15 milhas a leste de São Francisco.
Disputa sobre missão da OpenAI
O processo de Musk centra-se em alegações de que OpenAI abandonou compromisso original de operar como organização sem fins lucrativos dedicada ao desenvolvimento de inteligência artificial para benefício da humanidade. Musk cofundou OpenAI em 2015 com investimento inicial de 38 milhões de dólares, mas deixou conselho de administração em 2018.
Desde então, OpenAI transformou-se em empresa com fins lucrativos avaliada em 500 mil milhões de dólares, com Microsoft como principal investidor e parceiro estratégico. A Microsoft detém participação de 27% na empresa e integrou tecnologia da OpenAI em produtos como motor de busca Bing e suite de produtividade Office.
Musk desenvolveu entretanto a sua própria empresa de inteligência artificial, xAI, posicionada como alternativa à OpenAI. A rivalidade entre as duas empresas intensificou-se nos últimos anos, com Musk a criticar repetidamente direcção e práticas da OpenAI.
O julgamento marcado para Abril em Oakland representa confronto legal significativo no sector de inteligência artificial, com implicações potenciais para governação e estrutura de empresas de tecnologia emergente.
Matéria baseada em reportagem de Connie Loizos publicada no site TechCrunch a 17 de Janeiro de 2026, citando reportagem inicial da Bloomberg, agência Reuters e CNBC.





