Sonangol e TotalEnergies projectam a inauguração do “Quilemba Solar”

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O Estado angolano vai poupar cerca de 40 milhões de dólares, por ano, a partir do segundo semestre do presente exercício económico, em função da entrada em funcionamento da central fotovoltaica “Quilemba Solar”, cujo lançamento da primeira pedra teve lugar em Maio de 2025, na província da Huíla, com arranque previsto para Abril do presente ano.

O projecto, executado pela petrolífera francesa Total Energies, na qualidade de accionista maioritário, com 51 por cento do capital social, em parceria com a Sonangol, detentora de 30 por cento das acções, e a Maurel & Prom, que detém 19 por cento, vai gerar na fase inicial 35 megawatts pico, devendo evoluir para 80 megawatts na fase subsequente.

Localizado na periferia da cidade do Lubango, o Quilemba Solar já constitui uma referência do compromisso do Executivo em solidificar a matriz energética de fontes limpas, no quadro do Plano de Desenvolvimento Nacional (PDN) 2023-2027, em que o sector empresarial privado joga um papel crucial.

O facto de o projecto beneficiar mais de 40 mil famílias, na opinião do secretário de Estado, permite antever uma mudança qualitativa no seio da população, razão pela qual sugeriu que os accionistas devem avançar para a segunda fase logo que a primeira seja concluída, sem perder de vista a possibilidade de implementar outras fases no sentido de alargar os benefícios económicos para um maior número de famílias. 

Desenvolvimento sustentável

Na ocasião, o secretário de Estado para o Petróleo e Gás, José Alexandre Barroso, em representação do ministro dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás, Diamantino Azevedo, enalteceu a visão dos accionistas, na medida em que Angola “dá um sinal claro” do seu compromisso com os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), em alinhamento com a Agenda 2030 das Nações Unidas, em virtude da substancial redução das emissões de dióxido de carbono na natureza.

“O projecto Quilemba Solar é um exemplo prático do compromisso e do dinamismo da indústria angolana de petróleo e gás na contribuição para a matriz energética do país, sendo um projecto de grande importância, visto que vai contribuir para a diminuição da pegada de carbono em Angola, em alinhamento com os nossos objectivos de produção sustentável.”,disse.

Por seu lado, o secretário de Estado para a Energia, Manuel Carlos, realçou o facto de que, com maior disponibilidade de electricidade limpa, “a Região Sul deverá ser o destino dos maiores investimentos privados no sector de geração de electricidade”.

O presidente do Conselho de Administração da Sonangol, Sebastião Gaspar Martins, sublinhou que a central representa um passo concreto na redução da importação de cerca de 20 milhões de litros de produtos refinados, “enquanto geramos energia eléctrica e contribuímos para a diminuição das emissões de dióxido de carbono”.

O director-geral da Total Energies, Martin Deffontaines, disse estar “muito orgulhoso por este projecto que irá fornecer energia limpa às comunidades do Lubango. A planta Quilemba Solar é também muito importante para a Total Energies, porque marca um passo importante para nós em Angola, ilustrando a nossa estratégia multi-energética”. 

“Num ano em que Angola celebra os seus 50 anos de independência, estamos a reforçar a nossa parceria de longo prazo com o país. Este projecto tem licença de concessão para 28 anos e contribuirá para um futuro mais sustentável para as comunidades e para a província da Huíla”, concluiu. 

Desafios do sector

O Executivo definiu, no Plano Estratégico Angola Energia 2025, a meta de assegurar uma taxa de electrificação de 50 por cento até 2022, na perspectiva de elevar a capacidade instalada para 60 por cento em 2025, mas o surgimento da pandemia da Covid-19 fez com que a meta de 50 fosse adiada para 2025 e os 60 por cento para 2027.

O aumento da taxa de electrificação em Angola tem sido um dos grandes desafios do Executivo, numa altura em que já se produz energia suficiente, mas há necessidade de se optimizar a gestão da rede de distribuição e optar por novas fontes de energia limpa, eficientes, descentralizadas e de implementação mais célere.

Neste quesito, a energia solar fotovoltaica, com instalações de mini-redes isoladas ou Sistemas Solares Domésticos (SSD), joga um papel relevante, em conformidade com o Objectivo de Desenvolvimento Sustentável número sete (7), que prevê o acesso universal à energia, ou seja, uma taxa de electrificação de 100 por cento até 2030.

No quadro do Programa Energy Sector Engagement do Banco Mundial, foi desenvolvida uma análise à expansão da electrificação nacional angolana, segundo a qual só se atingirá a meta dos 60 por cento em 2028, e 77 por cento em 2030, sendo que nesse ano os SSD representariam 6,0 por cento, a rede nacional 61 por cento e as mini-redes 10 por cento.

Estratégia de expansão

A expansão do acesso aponta para a necessidade de múltiplas opções, a densificação da rede existente, a expansão da infra-estrutura existente, o desenvolvimento de mini-redes e a iniciação e expansão de SSD.

Por outro lado, o relatório do Banco Africano para o Desenvolvimento sobre o potencial das mini-redes verdes apresenta um cenário de electrificação onde 48 por cento da população não electrificada teria acesso à electricidade via extensão e densificação da rede, maioritariamente junto às áreas urbanas, percentagem idêntica atribuída às mini-redes, com 46 por cento, graças à concentração da população angolana em agregados populacionais, o que demonstra o enorme potencial deste tipo de projectos, onde as renováveis desempenham um importante papel.

Contudo, a franja da população em áreas de menor densidade populacional correspondente a 6,0 por cento não electrificada poderia ter acesso à electricidade via instalação de Sistemas Solares Domésticos, o que corresponde a 2 milhões de angolanos.

O Plano de Acção do Sector de Energia e Águas 2023-2027 define como prioridades não só aumentar a taxa média de electrificação a nível nacional, e reduzir as assimetrias de acesso ao longo do território, como também viabilizar a expansão.

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