Ataques a robô de segurança expõem tensão entre vigilância automatizada e privacidade

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Equipamento de vigilância K5 sofreu ataques em parque de estacionamento de centro comercial. Empresa alega que unidade foi “agredida e derrubada” por pessoas não identificadas.

Um robô de vigilância autónomo da empresa norte-americana Knightscope foi repetidamente vandalizado num parque de estacionamento de centro comercial em Los Angeles, levantando questões sobre aceitação pública de tecnologias de segurança robóticas em espaços públicos. A empresa confirmou múltiplos incidentes envolvendo a unidade K5, que patrulhava zona comercial na cidade californiana.

A Knightscope reportou em comunicados aos investidores que o robô foi “agredido e derrubado” em várias ocasiões por pessoas não identificadas. Imagens partilhadas em redes sociais mostram o equipamento cilíndrico tombado no chão, sendo empurrado e, em pelo menos um caso, coberto com lona.

Os robôs K5 da Knightscope medem 1,5 metros de altura, pesam cerca de 180 quilogramas e são equipados com câmaras de vídeo de 360 graus, sensores térmicos e sistemas de reconhecimento de matrículas. Concebidos para patrulhar autonomamente áreas exteriores como parques de estacionamento, campus empresariais e espaços públicos, os dispositivos gravam continuamente e enviam alertas para centrais de segurança quando detectam actividade suspeita.

A empresa, cotada no mercado over-the-counter nos Estados Unidos, posicionou os robôs como solução complementar a guardas de segurança humanos, prometendo redução de custos operacionais e cobertura de vigilância 24 horas. Segundo informação corporativa, a Knightscope opera mais de 100 unidades em instalações comerciais e industriais norte-americanas.

Os incidentes em Los Angeles não são isolados. Em 2017, um robô K5 que patrulhava centro comercial na Califórnia atropelou criança de 16 meses, gerando críticas sobre segurança dos equipamentos. Noutro caso amplamente divulgado, unidade semelhante caiu para fonte de água em Washington D.C., provocando troça nas redes sociais.

Questões éticas e eficácia contestada

Especialistas em vigilância e direitos civis têm alertado para implicações de privacidade associadas a robôs de patrulha equipados com câmaras omnidireccionais e capacidade de reconhecimento facial. American Civil Liberties Union (ACLU) classificou a tecnologia como “vigilância invasiva” que recolhe dados sobre movimentos de pessoas sem consentimento explícito.

A eficácia dos robôs em prevenir crime também permanece contestada. Não existem estudos independentes que demonstrem redução de criminalidade em áreas patrulhadas por unidades K5, embora a Knightscope afirme em material promocional que a “presença visível” dos robôs tem “efeito dissuasor”.

A empresa não divulgou estatísticas sobre taxa de vandalismo dos seus equipamentos nem informou se apresentou queixas às autoridades policiais relativamente aos incidentes em Los Angeles. Também não especificou se os robôs vandalizados continuam operacionais ou foram retirados de serviço.

Acções da Knightscope, que estreou em bolsa através de oferta pública directa em 2022, são transaccionadas a cerca de 2 dólares por unidade, muito abaixo do pico de 13 dólares registado no primeiro dia de negociação. A empresa reportou prejuízos consistentes desde fundação em 2013 e enfrenta desafios em escalar operações comercialmente viáveis.

Robótica em segurança privada

Mercado global de robôs de segurança foi estimado em 28 mil milhões de dólares em 2024, com projecções de crescimento para 80 mil milhões até 2030, segundo dados da consultora Markets and Markets. Crescimento é impulsionado por procura de soluções de vigilância automatizada em sectores como logística, retalho e infra-estruturas críticas.

Principais fabricantes incluem empresas norte-americanas (Knightscope, Cobalt Robotics), asiáticas (SMP Robotics na Rússia, vários fabricantes chineses) e europeias (Gamma 2 Robotics na Dinamarca). Tecnologias variam desde plataformas móveis autónomas até drones de vigilância e sistemas fixos com inteligência artificial.

Regulamentação permanece fragmentada. Califórnia aprovou em 2024 legislação que proíbe robôs policiais equipados com armas letais, mas não estabelece regras específicas para equipamentos de vigilância privada. União Europeia debate enquadramento regulatório para sistemas autónomos em espaços públicos no âmbito da lei de inteligência artificial aprovada em 2024.

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