Voz e quatro guitarras: Totó ST fecha ano no Palácio de Ferro com “Só Cordas”

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Artista juntou quatro violões e convidou Edmázia Mayembe para espectáculo acústico que explorou repertório de duas décadas de carreira. Poeta Walietcha Neto abriu noite com mensagem de superação.

O pátio do Palácio de Ferro encheu-se na noite de sexta-feira para o concerto “Só Cordas”, que marcou o encerramento da temporada cultural de 2025 do espaço. Totó ST, o mesmo músico que inaugurou a agenda do emblemático edifício luandense e espaço de cultura em Janeiro passado, regressou com proposta minimalista: voz, quatro guitarras e percussão para revisitar sucessos de álbuns como “Vida das Coisas” (2006) e temas mais recentes.

Antes de subir ao palco, o artista cedeu protagonismo ao poeta Walietcha Neto, que declamou “A Mãe Devia Ser Eterna” e “Superação”. Neste último poema em primeira pessoa, o autor reflectiu sobre olhares e julgamentos sociais. “Não é sobre mim, é sobre nós. A deficiência existe, mas só na mente de quem acredita que não pode sonhar. No lugar de vítima eu fiz do spoken word minha morada”, declarou, arrancando aplausos da plateia.

O concerto arrancou com “Que Fim-de-Semana” e “Eu Vou”, ambos de “Vida das Coisas”, num registo acústico que não contrastou com versões mais conhecidas. Foi em “Saudade” que o público começou timidamente a cantar em uníssono, participação que se intensificou ao longo da noite.

A formação reuniu mais de seis artistas, mantendo fidelidade à proposta conceptual explicada por Totó ST à véspera do evento: “Um espectáculo que, além da voz, junta em palco uma composição musical que utiliza, como suporte, instrumentos de cordas para apresentação de uma performance que explora a riqueza sonora e a versatilidade do talento angolano”. A única excepção à regra das cordas foi a percussão, a cargo de Omar Grosso.

Destaque para a actuação do guitarrista Mário Gomes, responsável pela guitarra solo, que arrancou salvas de palmas e reverências da assistência ao exibir perícia técnica num momento à solo.

Edmázia Mayembe revisita início de carreira

A cantora Edmázia Mayembe, convidada especial da noite, prestou homenagem ao anfitrião antes de interpretar “Erro Bom”, primeiro grande sucesso da sua discografia. Seguiu-se “Amor Yame”, que fundiu com “Ame Ndukussole” de Totó ST numa emenda que explorou afinidades entre repertórios.

Após despedir-se do palco, Edmázia regressou a pedido do público para cantar a cappella “Alma Nua”, um dos seus temas de maior sucesso actual, num improviso que encerrou a sua participação.

Totó ST, compositor, guitarrista e produtor musical, construiu carreira caracterizada pela fusão de música africana com influências de blues e jazz. O seu catálogo inclui álbuns como “A Forma do Amor”, “Ava Tar”, “Flavours of Time”, “Nga Sakidila”, “Filho da Luz”, “Batata Quente” e “Vida das Coisas”.

O músico inaugurou a agenda cultural do Palácio de Ferro em Janeiro de 2025 com concerto de Ano Novo e fechou o ciclo onze meses depois com proposta acústica que manteve-se fiel ao formato de abertura.

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