Franchising em Angola procura modelo para crescer sustentavelmente

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Fórum reúne amanhã especialistas e investidores para discutir desafios de sector ainda incipiente mas com potencial para gerar emprego e atrair capital privado

A Associação Angolana de Franchising (AAF) promove amanhã, 4 de Dezembro, o Fórum Internacional de Franchising Angola 2025, numa tentativa de estruturar modelo de negócio que internacionalmente tem demonstrado capacidade para reduzir risco empresarial e acelerar criação de emprego formal.

O encontro, marcado para as 14h00 no Hotel Palmeiras, em Talatona, reúne franqueadores, investidores e instituições financeiras para discutir condições necessárias ao desenvolvimento de sector ainda pouco maduro em Angola, mas que autoridades e empresários apontam como instrumento relevante para diversificação económica num país onde petróleo continua a dominar receitas públicas.

“A franchising pode acelerar esta transformação, porque oferece modelos testados, reduz o risco e cria negócios sustentáveis”, afirmou Euclides Almeida, presidente da AAF, em nota divulgada ontem.

O franchising — sistema em que empresário paga para operar negócio sob marca e métodos estabelecidos — permite reduzir incerteza típica de novos empreendimentos através de protocolos operacionais definidos, apoio técnico e reconhecimento de marca junto de consumidores.

Em mercados desenvolvidos, sector representa parcela significativa de actividade comercial: nos Estados Unidos, franchising emprega directamente mais de oito milhões de pessoas e gera receitas anuais superiores a 800 mil milhões de dólares, segundo dados da International Franchise Association.

Em Angola, onde empreendedorismo cresceu nos últimos anos mas continua marcado por alta informalidade e dificuldades de acesso a financiamento, modelo apresenta-se como alternativa para formalização de negócios e profissionalização de gestão empresarial.

O programa do Fórum divide-se em três painéis principais. O primeiro analisa estado actual do ecossistema de franchising no País, incluindo dados sobre áreas com maior potencial de crescimento e entraves regulatórios ou operacionais.

O segundo painel concentra-se em financiamento: disponibilidade de crédito para franqueados, estruturas de garantia e viabilidade económica de investimentos iniciais — questões cruciais num contexto em que taxas de juro comerciais permanecem elevadas e bancos mantêm critérios restritivos para concessão de empréstimos.

O terceiro painel apresenta práticas internacionais de franchising e discute sua aplicabilidade ao mercado angolano, considerando especificidades como dimensão reduzida de classe média urbana, volatilidade cambial e custos logísticos elevados.

Desafios do empreendedorismo formal

Angola regista taxa de actividade empreendedora entre mais altas de África, mas maioria absoluta de negócios opera na informalidade, segundo estudos de organismos internacionais. Falta de acesso a crédito, complexidade burocrática e custos de formalização são apontados como principais obstáculos à criação de empresas estruturadas. Franchising apresenta-se como modelo que pode facilitar transição para formalidade ao oferecer suporte técnico e operacional a novos empresários.

Ao contrário de países vizinhos como África do Sul — onde franchising movimenta milhares de milhões de rands anualmente e emprega centenas de milhares de trabalhadores — mercado angolano permanece dominado por marcas internacionais concentradas em restauração rápida e retalho alimentar.

Expansão de franchising nacional enfrenta obstáculos: custos iniciais elevados para franqueados, escassez de mão-de-obra qualificada para gestão operacional, dificuldades logísticas de abastecimento e ausência de quadro regulatório específico para sector.

Fórum de amanhã procura identificar caminhos para ultrapassar esses constrangimentos através de partilha de experiências entre operadores já activos no mercado e potenciais investidores interessados em explorar modelo.

Evento decorre até as 19h00 e inclui sessões de networking destinadas a aproximar franqueadores de potenciais franqueados e facilitar contactos com instituições financeiras.

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