Director da Angola Cables revela que Angola gasta anualmente o equivalente a 425.000 CPUs virtuais em clouds estrangeiras. Nova infraestrutura nacional visa travar esta fuga de capital e garantir soberania digital.
A dependência de serviços de cloud computing sediados no estrangeiro está a provocar um significativo “êxodo de dados” e uma fuga de divisas da economia angolana, alertou esta Sexta-feira, 28 de Novembro, Júlio Chilela, Director de Inovação Tecnológica da Angola Cables. Durante a apresentação do novo nó da “Clouds2Africa”, Chilela citou dados da consultora internacional Gartner para quantificar o fenómeno: anualmente, o mercado angolano adquire no exterior o equivalente a 425.000 CPUs virtuais, 1,7 Petabytes de memória RAM e 8 Petabytes de armazenamento.
“Vivemos numa escassez de infraestrutura no passado, e as consequências são visíveis. O que acarretou foi o êxodo de muitos dados de Angola, dados dos angolanos, dados sobre Angola que foram armazenados em clouds fora do país”, afirmou o responsável. Chilela sublinhou que, quando os dados estão alojados fora das fronteiras nacionais, “ninguém tem controle sobre essas informações”, colocando em risco a soberania digital e a segurança da informação do país.
A solução apresentada pela Angola Cables posiciona-se directamente para colmatar esta lacuna estratégica. A expansão da “Clouds2Africa” com um terceiro nó em Luanda e a oferta comercial em moeda local não só visam repatriar essa informação, como impedir a continuação da saída de capitais. “Chegou uma nova era em Angola. Esta nova era é o repatriamento de dados e a soberania”, declarou Chilela, acrescentando que mais de 75% das empresas de médio e grande porte procuram anualmente serviços de cloud, uma procura que cresce 20% ao ano. A retenção deste fluxo financeiro no circuito económico nacional representa, assim, uma dupla vitória: estratégica e orçamental.





