Programas “Talent Seeds” e “Acelera Net” visam reter jovens qualificados e acelerar microempresas de tecnologia, atacando uma das maiores fragilidades do sector de TI no país.
Reconhecendo que a escassez de recursos humanos especializados é um “handicap” para o sector tecnológico angolano, a Angola Cables está a implementar programas internos de formação e de apoio ao ecossistema empresarial. Durante o evento desta sexta-feira, 28 de Novembro, a empresa detalhou as iniciativas “Talent Seeds” e “Acelera Net”, concebidas para desenvolver talento nacional e fomentar a inovação, com um investimento que reflecte uma estratégia de longo prazo para o desenvolvimento do capital humano nacional.
“Precisamente para esses dois aspectos – as pessoas e as startups – nós temos dois programas com acesso online”, afirmou o CEO, Ângelo Gama. O programa “Talent Seeds”, explicou, promove estágios de seis meses para “pequenos talentos angolanos” dentro da própria Angola Cables, não apenas nas áreas técnicas, mas também em marketing digital e outras funções de suporte empresarial. “Para aqueles que se destacam durante esses estágios, podemos também oferecer emprego dentro da Angola Cables”, adiantou Gama, sublinhando que esta abordagem visa criar um pipeline contínuo de talentos formados dentro dos padrões técnicos da empresa.
O programa, segundo fontes da empresa, já na sua terceira edição, tem uma particularidade distintiva: os estagiários são integrados em projectos reais da operadora, trabalhando lado a lado com a “equipa fantástica de técnicos angolanos que trabalham quase noite e dia”, como referiu o CEO. Esta imersão prática, complementada com sessões de mentoria, permite aos jovens adquirir experiência em ambientes tecnológicos de classe mundial, preparando-os para os desafios do mercado global.
Paralelamente, a iniciativa “Acelera Net”, inicialmente focada em provedores de internet (ISP), expandiu o seu âmbito para abranger startups de desenvolvimento de software e outras microempresas com forte componente tecnológica. “Aqui em Angola é o contrário. Temos poucos ISP’s a servir uma grande quantidade de pessoas. Então é preciso acelerarmos todo o ecossistema digital”, explicou Gama, detalhando que o programa oferece um modelo comercial inovador que “retira o peso do acelerado”, permitindo que estas empresas “venham vender sem ter que comprar” a infraestrutura inicial.
Na prática, a Angola Cables fornece acesso a serviços de internet, cloud e suporte técnico especializado sob um modelo de consignação, assumindo os custos iniciais de infraestrutura que, de outra forma, seriam proibitivos para estes empreendedores. “Além de toda a componente técnica que nós vemos para programação, qual é a melhor ferramenta para programar o tipo de conteúdo de aplicação que ele quer fazer, também alojamos essas pequenas startups na nossa cloud por consignação”, afirmou o CEO.
Um elemento crucial do “Acelera Net” é o acompanhamento técnico personalizado. Especialistas da Angola Cables trabalham directamente com os beneficiários para identificar as melhores ferramentas e arquitecturas técnicas para os seus projectos específicos, desde aplicações web até soluções móveis. Esta abordagem vai além do simples fornecimento de recursos, constituindo-se como uma verdadeira incubação técnica que aumenta substancialmente as probabilidades de sucesso destes empreendimentos.
A estratégia dupla da empresa – formar talentos através do “Talent Seeds” e fomentar o empreendedorismo via “Acelera Net” – representa um investimento estrutural no ecossistema digital angolano. “Tentamos sempre e por tudo que nós fazemos apoiar na digitalização do nosso país”, finalizou Ângelo Gama, deixando claro que o desenvolvimento tecnológico de Angola depende, em última análise, do fortalecimento das suas capacidades humanas e empresariais locais.





