Bioética e tecnologias digitais dominam a 2.ª Conferência Anual do Centro de Ciência de Luanda

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Um ano após a primeira edição, o encontro reafirma-se como um espaço de reflexão estratégica sobre o papel da ciência no desenvolvimento de Angola, sublinha o Ministro do Ensino Superior, Ciência, Tecnologia e Inovação.

O Centro de Ciência de Luanda acolhe, nos dias 27 e 28 deste mês, a segunda Conferência Anual dedicada ao debate sobre os desafios e oportunidades que emergem da intersecção entre ciência, tecnologia e bioética. A iniciativa reúne investigadores, académicos e decisores de Angola e de outros países lusófonos, com o objectivo de construir propostas práticas para uma adopção responsável das tecnologias emergentes.

Sob o lema “Ciência e Tecnologia para o Desenvolvimento: a Ciência e as suas interconexões com a Bioética”, o encontro procura incentivar uma reflexão crítica sobre o impacto social, ético e institucional da inovação tecnológica, em particular no uso da inteligência artificial, na investigação biomédica e na protecção de dados.

Na sessão de abertura, realizada na noite desta quarta-feira (26.11), o Ministro do Ensino Superior, Ciência, Tecnologia e Inovação, Albano Ferreira, destacou a pertinência do fórum num contexto global marcado por profundas transformações tecnológicas. “Esta conferência é uma oportunidade de reflexão colectiva sobre o papel da ciência no progresso do país, aliando o avanço tecnológico aos princípios éticos que devem orientar todas as práticas: transparência, integridade e respeito pela dignidade humana”, afirmou.
O ministro reforçou ainda que a protecção de dados pessoais, a prevenção da má conduta científica e o uso responsável de tecnologias emergentes constituem hoje “condições essenciais para a credibilidade e o impacto da ciência moderna”.

O académico moçambicano João Schwalbach, Professor Honoris Causa da Universidade do Porto e orador convidado, sublinhou que a bioética deve ser entendida como uma “filosofia da responsabilidade”. Para o especialista, o continente precisa consolidar uma base científica enraizada em valores e orientada para as pessoas. “Só uma ciência guiada pelo rigor, responsabilidade moral e compromisso com o desenvolvimento humano sustentável pode servir verdadeiramente as sociedades africanas”, afirmou.

Com sessões temáticas que abordam desde a inteligência artificial à biotecnologia, passando pela ética médica e pelos desafios regulatórios, o encontro pretende reforçar o papel do Centro de Ciência de Luanda como espaço de produção de conhecimento e ponto de convergência para o debate científico nacional. A expectativa é que as deliberações contribuam para posicionar Angola no debate global sobre ciência, ética e inovação.

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